Quarentena: Guia de cuidados aos pacientes com demência

Publicado em: 13/05/2020 por: Assessoria de Imprensa SUPERA

Ao escrever sobre os cuidados a serem tomados para prevenir o novo coronavírus em indivíduos idosos com demência, pensamos em produzir este conteúdo educativo e mais leve. Temos certeza que a realidade tem deixado muitos de nós assustados, devido a uma pandemia que atingiu a todos e onde estávamos social e economicamente despreparados. Contudo, não importa nosso papel na sociedade, somos todos seres humanos que estamos lutando para conter a propagação ainda maior deste vírus em nosso país.

Quarentena: Guia de cuidados aos pacientes com demência - SUPERA - Ginástica para o Cérebro
Na coluna dessa semana, mostramos os principais cuidados a serem tomados com pacientes diagnosticados com demência durante a quarentena.

Neste momento, podemos nos perguntar: o que fazer?

Do ponto de vista clínico, acompanhamos o esforço de pesquisadores na busca por medicamentos curativos ou de uma vacina. Acreditamos na ciência e por isso, esperamos em breve a notícia da existência de opções medicamentosas que permitam maior segurança, prevenção e controle deste vírus mortal.

Em termos de ações não farmacológicas, as medidas de distanciamento e isolamento social utilizados atualmente têm sido discutidas como sendo as únicas maneiras de se reduzir o número de casos e de mortes, tanto no Brasil quanto em outros países.  A maioria das pessoas estão fazendo o que podem, na media do possível, para se manterem isoladas em casa e este isolamento é relaxado apenas para aqueles que prestam serviços essenciais. Também acreditamos que a irresponsabilidade de algumas pessoas em se exporem a maiores riscos e possivelmente, contaminarem outras pessoas, está associada à ignorância, à falta de informação e às desigualdades sociais muito presentes em nosso país.

Como devemos nos comportar e como faremos para minimizar nossos riscos de contaminação em idosos com diagnóstico de demência?

Todos deverão aderir às medidas de isolamento e de higiene do corpo, da mente e do ambiente. Pensando nos grupos mais vulneráveis – entre eles os idosos e portadores de doenças crônicas e doenças neurodegenerativas -, o nosso olhar e cuidado deve se tornar ainda mais acurado.

Seguramente, há muito que se dizer sobre isso, ao considerarmos as características clínicas de diferentes  doenças de alta morbidade, ou seja, que perduram por muitos anos e demandam maior cuidado. Assim, vamos falar sobre os principais cuidados que se deve ter com idosos que possuem algum quadro ou se encontram em algum estágio da demência. Esperamos que possa ser útil para aqueles que se acham em isolamento social ou que prestam cuidados no domicílio a um familiar que apresenta o diagnóstico de alguma demência.

Guia de Cuidados:

  • Em primeiro lugar, pensemos que estamos diante de alguém em fase leve deste tipo de transtorno. Obviamente, será preciso muita observação, supervisão, delicadeza e cautela. As sugestões de cuidados que contemplam o “kit higiene”; medida tão preconizada neste momento por profissionais de saúde, como lavar bem as mãos, usar álcool em gel, usar máscara em ambientes externos e manter distância de pelo menos 1,5 m de outra pessoa,  levar o antebraço à boca ao tossir e espirra e usar lenços descartáveis. Mas é preciso pensar também que estas atividades, quando propostas, poderão vir com um retorno de pouca ou muita resistência da pessoa que receberá cuidados.
  • Talvez seja preciso repetir várias vezes, com delicadeza e paciência, a necessidade de seguir as instruções – dado que existe o risco de se contaminar e contaminar alguém próximo e querido. Este é um argumento que poderá funcionar muito bem nesta fase. Lembremo-nos que, neste momento evolutivo, os hábitos antigos de higiene são postos em prática sem muitos problemas, no geral.
  • As fases intermediárias e finais das demências podem exigir que as atividades sugeridas para a prevenção de contaminação pelo novo coronavírus sejam lembradas, estimuladas e realizadas muitas vezes pelo familiar e/ou cuidador. Ao falar em cuidador contratado, é preciso evitar o máximo possível que ele (a) tenha que ir e vir diariamente, pois esta movimentação poderá favorecer a contaminação em razão de seu maior contato com outras pessoas, por exemplo, nos transportes públicos.
  • É aconselhável que, ao chegar, este cuidador troque de roupa e sapatos após um banho rápido, antes de se aproximar da pessoa que será cuidada. Após a troca e o uso de máscara e mãos devidamente higienizadas com água, sabonete e álcool em gel, iniciar os procedimentos habituais que fazem parte da rotina da pessoa. É importante lembrar que a pessoa cuidada também deverá ter suas mãos frequentemente higienizadas do mesmo modo que seu cuidador, antes e após qualquer atividade realizada.
  • Medidas parciais de distanciamento de outras pessoas e distanciamento total de crianças e recém-nascidos são fundamentais – embora saibamos o quanto é difícil para os avós permanecerem longe de seus netos. Essa medida é essencial para proteção própria, entendendo que o sistema imunológico e de defesa dos idosos é mais vulnerável a diferentes tipos de contaminações.
  • Quanto ao ambiente, este deve ser frequentemente limpo com desinfetantes habituais; preferencialmente a base de hipoclorito ou álcool líquido diluído em água. As superfícies precisam ser higienizadas, no mínimo, duas vezes ao dia com álcool. Janelas devem ser abertas para ventilação adequada do ambiente e o vestuário de ambos – cuidador e pessoa que recebe os cuidados -, compatíveis à temperatura ambiente.
  • Do ponto de vista de cuidados com a alimentação, ofereça ao idoso que está em cuidados uma alimentação balanceada, rica em nutrientes, vitaminas e sais minerais. Para o fortalecimento do sistema imunológico, incentive o consumo de peixes, como atum, sardinha, salmão – são ricos em zinco.
  • Tente levar o idoso com demência para a exposição da luz do sol por pelo menos 15 minutos ao dia. A luz solar é rica em vitamina D, que também possibilita o fortalecimento do sistema imunológico.
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Sugestões de atividades de lazer para o preenchimento de rotina:

  • Ver fotografias de eventos marcantes e de familiares próximos;
  • Ouvir músicas que tenham significados para o idoso;
  • Fazer um prato preferido junto com o idoso ou que o idoso goste;
  • Fazer uma ligação telefônica para um familiar e/ou amigo próximo.

Finalmente, manter a mente positiva e usar de toda a criatividade auxiliará para a superação desses momentos difíceis pelos quais a humanidade passa. Conversar, cantar, fazer trabalhos manuais, ver e organizar álbuns de fotos, assistir um bom filme, falar por vídeo com parentes distantes, amigos – tudo isso pode suavizar este momento e nos aproximar mais.

Independente da ausência ou de diferentes crenças religiosas, somos todos humanos e estamos diante de uma oportunidade ímpar, que nos permite refletir sobre o individual e o coletivo, o que é mais importante para cada um de nós. Tentar aproveitar ao máximo esta nossa proximidade “forçada” pelo isolamento social, descobrir e construir novas experiências de vida, novos significados e papéis.

Acredite! Tudo isso vai passar, e a cada dia, percebe-se entre nós (família) e o coletivo (sociedade) que sairemos internamente modificados. Esperamos e desejamos que seja para melhor!

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Texto redigido por:

Profa. Dra. Ceres Ferretti – Enfermeira. Pós Doutora em Neurologia pela FMUSP. Mestra em Neurociências e Doutora em Ciências pela UNIFESP. Pós graduada em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae. Pesquisadora Colaboradora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP.

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva- Gerontóloga. Mestra e Doutora em Neurologia pela FMUSP. Docente do curso de Graduação em Gerontologia da USP. Pesquisadora Colaboradora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP. Coordenadora do Curso de Pós-graduação em Gerontologia da Faculdade Paulista de Serviço Social- (FAPSS).

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