Vacinas para a Doença de Alzheimer: o que a ciência tem estudado?

Publicado em: 23/03/2021 Por Assessoria de Imprensa SUPERA

O assunto de hoje é Doença de Alzheimer. Você já ouviu falar sobre esta doença? Faz parte do grupo de doenças neurológicas, conhecidas como demências, que atingem e causam danos aos neurônios de forma progressiva, gradual e irreversível.

As demências causam  prejuízos para a memória, em outras habilidades cognitivas, e para o desempenho de atividades no cotidiano, além de afetar o relacionamento entre as pessoas e gerar gastos importantes para familiares e para o sistema de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde em um relatório publicado em 2017, a Doença de Alzheimer (DA) é a demência mais comum. Atualmente existem cerca de 50 milhões de pessoas com DA em todo o mundo e dados apontam que esse número será ainda maior em 2050, ultrapassando 150 milhões de casos.

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Estudos indicam que 6 em cada 10 pessoas diagnosticadas com DA, vivem em países em desenvolvimento como o Brasil.

Mas o que causam as demências, mais especificamente, o que causa a Doença de Alzheimer? Atualmente sabe-se que a DA ocorre a partir de disfunções genéticas, por exemplo, no *gene apo E e a partir do acúmulo de duas proteínas tóxicas no cérebro, chamadas Beta-amilóide (Aβ) e de proteína Tau.

Esse acúmulo acaba provocando a morte dos neurônios, e consequentemente causam prejuízos cognitivos.

Você pode estar se perguntando “é possível prevenir a DA?” e a resposta é que são conhecidos fatores de risco não genéticos como a baixa escolaridade, e que, portanto, desempenhar atividades intelectuais, como a estimulação cognitiva podem ajudar a minimizar os riscos, mas não é possível afirmar eficácia de prevenção. E quais são os tratamentos existentes para essa demência?

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Na tentativa de serem revertidos os danos gerados pela DA na memória e no desempenho cognitivo, uma forma de tratamento é o medicamentoso.

É preciso ter em mente, porém, que o foco deste tipo de tratamento é o controle dos sintomas neurológicos e psiquiátricos, uma vez que não há, até o momento, medicamentos que levam à cura da doença.

Alguns deles combatem a perda acelerada de neurônios relacionados a certos tipos de memória. Outro tipo atua na prevenção do excesso de estimulação dos neurônios, que pode causar danos a estas células, problema comum em pessoas com DA.

Outra forma de tratamento é a terapia gênica. Esta técnica surgiu da possibilidade de aproveitar o potencial dos genes, ou seja, os elementos presentes em nosso organismo responsáveis pelas características que herdamos de nossos pais.

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O tratamento consiste em promover modificações no material genético das células afetadas pela doença, para que elas interrompam a produção de proteínas defeituosas. Além de ser um tratamento extremamente complexo, uma ressalva importante a se considerar na terapia gênica é a questão ética, uma vez que envolve a alteração dos elementos que definem como cada ser humano é constituído organicamente.

Uma forma bastante promissora de tratamento da DA é a imunoterapia. Por meio desta abordagem busca-se fortalecer o sistema imunológico, que é uma espécie de autodefesa do nosso organismo, de forma a torná-lo mais eficaz no combate a infecções e outras doenças.

Em outras palavras, estamos falando em imunização, ou ainda, vacinação. No caso da DA, as tentativas iniciais, que eram de imunização com Aβ, não alcançaram resultados satisfatórios.

Com o avanço das pesquisas, surgiram as vacinas de Aβ de segunda geração e os anticorpos monoclonais chamados anti-Aβ.

A chamada imunoterapia direcionada à Aβ divide-se em imunização ativa e passiva. Na ativa, as vacinas são projetadas com antígenos, substâncias estranhas ao nosso organismo, que acionam as células do sistema imunológico para produzirem anticorpos específicos contra a proteína Aβ.

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Por outro lado, a imunização passiva não depende da ativação do sistema imunológico, baseando-se, na verdade, na injeção de anticorpos monoclonais, que são proteínas produzidas em laboratório a partir de células vivas. Por não depender do sistema imune, a imunização passiva conta com a vantagem de poder ser interrompida em caso de reações adversas.

Alguns ensaios clínicos, ou seja, pesquisas científicas em ambiente clínico têm sido realizados para o desenvolvimento de vacinas contra a DA. De acordo com uma recente revisão de literatura de Se Thoe et al., (2021), podem ser citadas as seguintes vacinas em teste atualmente como ensaios clínicos:

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  • CAD106: vacina ativa que demonstrou boa tolerabilidade e segurança, além de bons níveis de anticorpos específicos de Aβ detectados no corpo dos pacientes, ao final de um estudo de fase 2 patrocinado pela Novartis Pharmaceuticals. Atualmente, está sendo utilizada em um estudo conhecido por Iniciativa de Prevenção de Alzheimer (API);
  • Crenezumab: anticorpo de imunoterapia passiva utilizado atualmente em um estudo de fase 2 patrocinado pela Genentech, com conclusão estimada para 2022;
  • BAN2401: anticorpo monoclonal (imunoterapia passiva) utilizado atualmente em um estudo de fase 2 com conclusão estimada para 2022 e, também, em um de fase 3, em etapa de recrutamento de participantes, com estimativa de conclusão para 2024, ambos patrocinados pela Eisai Inc;
  • ALZ801: agente oral (imunoterapia passiva) com grandes expectativas da comunidade científica por sua eficácia contínua; retratou perfil de segurança favorável ao final de um estudo de fase 1 patrocinado pela Alzheon Inc. Atualmente, está sendo utilizado em um estudo de fase 3b, em etapa de envio de convite aos futuros participantes, com conclusão estimada para 2024 e com o mesmo patrocinador.

Há muitos estudos em andamento, com outros tipos de drogas para o tratamento da Doença de Alzheimer. Neste texto abordamos apenas os tipos de vacinas que estão em estudos, nenhum estudo em fase conclusiva.

Aproveitamos para reforçar, que até o presente momento não existem tratamentos milagrosos para a doença de Alzheimer, quando observarem estudos que prometem a cura, busquem verificar, o currículo de pesquisador, do cientista responsável pelo estudo e se falar em cobrança pelo tratamento, desconfiem, pois nenhum estudo pode cobrar pela participação de uma pessoa em uma pesquisa.

A participação tem que ser voluntária, sem custos para o participante, podendo desistir do estudo a qualquer momento.

Atuando para evitar que uma doença se instale, a prevenção é a melhor estratégia que temos para a promoção e, como vimos, no caso da DA, há motivos para acreditarmos que a prevenção é muito importante.

Assina este artigo:

Gabriela dos Santos – É gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP), com extensão pela Universidad Estatal Del Valle de Toluca – México e experiência em Iniciação Científica  pelo Programa Unificado de Bolsas da USP. Membro da pesquisa científica de validação do Método SUPERA. Mestranda pelo Programa em Gerontologia da EACH-USP.

Mauricio Einstoss de Castro Barbosa – Graduado em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), com participação no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde/Interprofissionalidade), teve atuação como estagiário de Gerontologia na Coordenação de Políticas Para a Pessoa Idosa – Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania – Prefeitura de São Paulo.

Profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva, Docente do curso de Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e conselheira executiva da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Colunista e Assessora científica de pesquisa do Método SUPERA.

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2 comentários para "Vacinas para a Doença de Alzheimer: o que a ciência tem estudado?"

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  • Minha. Mãe tem Alzheimer e meu sonho e a chegada de um medicamento eficaz p eliminar essa doaenca tão silenciosa e triste choro quando minha mãe me pergunta quem SOU..??
    Mas tenho fé que os cientistas logo liberem um medicamento p salvar tantas vidas …

  • Nilza Pereira Maia disse:

    Sou aluna supera Divinópolis MG. Decidi fazer o curso mesmo arriscando nesse momento de isolamento social, pois ajudo cuidar de duas irmãs com demências . Elas usam EXELON PATCH 10 e tem dado bons resultados. Confio em pesquisas ,parabenizo e admiro pessoas que se dedicam tanto. O Supera me ajuda em todos os sentidos. Minhas orientadoras : Brenda e Sthefany me encentivam e me dão muitas alegrias

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