Como otimizar a metamemória no envelhecimento?

Publicado em: 25/01/2024 Por Assessoria de Imprensa SUPERA

É de conhecimento científico e popular que ao longo do ciclo vital todas as pessoas são acometidas por declínios físicos e cognitivos, de maneira mais ou menos acentuada. Existem alguns fatores que influenciam na intensidade desses declínios, sendo dois os principais: a genética e o estilo de vida. Considerando o segundo fator, que pode ser mutável, algumas estratégias podem auxiliar na redução dos efeitos desse declínio.

            No que se refere aos declínios cognitivos, a ciência tem demonstrado os benefícios de estratégias cognitivas como o treino cognitivo e a estimulação cognitiva, que tem como objetivo o melhoramento de habilidades cognitivas específicas como atenção e raciocínio lógico ou gerar efeitos positivos na cognição global, respectivamente. Nesse sentido, a realização de determinadas atividades colaboram com o desempenho cognitivo.

metamemória

            Outro fator importante que está relacionado à capacidade de desempenho das habilidades cognitivas, como linguagem e a capacidade de planejamento e execução de tarefas, entre outras, é a metamemória. Conforme descrito por alguns pesquisadores, a metamemória diz respeito ao conhecimento sobre o funcionamento da própria memória, incluindo o entendimento sobre as estratégias que melhor se enquadram para cada pessoa monitorar, avaliar e regular seus próprios processos de memória.

            Metamemória, entenda:

Além disso, a metamemória tem relação com a autoeficácia, ou seja, a autopercepção da capacidade de planejar e executar uma tarefa. Existe também relação da metamemória com sentimentos, crenças e emoções associadas ao desempenho que um indivíduo tem sobre as capacidades da própria memória. É comum que pessoas com idades mais elevadas apresentem queixas relacionadas à memória, o que pode, por exemplo, influenciar negativamente na qualidade de vida.

            Devido à sua importância na qualidade da saúde mental e cognitiva, especialmente na vida de pessoas idosas, a metamemória tem sido estudada há alguns anos, tanto para melhor compreensão de seu funcionamento e impactos, quanto para o conhecimento de ações que possam beneficiar as pessoas com 60 anos ou mais.

            Nesse contexto, uma pesquisa foi realizada com 69 adultos maduros e idosos, cujos anos de estudo variaram entre 3 a 15 anos. Essas pessoas foram separadas em dois grupos. O primeiro, Grupo Treino, participou de testes e avaliações para verificar o desempenho cognitivo, a metamemória e a presença de sintomas depressivos e também participou de um programa de treino cognitivo. O segundo, Grupo controle, participou apenas das avaliações, sem recebimento de treino cognitivo.

            Na pesquisa citada anteriormente, após um período de 5 sessões de treino focado na criação de imagens mentais, com  duração de 90 minutos, o grupo que recebeu o treino apresentou melhores resultados na memória episódica e na autoeficácia, relacionada à metamemória. Esses desfechos enfatizam, portanto, que o treino cognitivo pode ser um forte aliado para a cognição e a metamemória de pessoas idosas.

metamemória

            É possível também otimizar a metamemória a partir de práticas inseridas na rotina. O primeiro passo é refletir sobre a própria memória, quais são as percepções em relação a ela, quais tarefas costumam ser executadas com mais facilidade ou mais dificuldade e o que normalmente contribui para que as informações sejam memorizadas mais facilmente.

            Existem pessoas, por exemplo, que apresentam um melhor desempenho da memória quando fazem anotações sobre coisas que ocorreram ou atividades que precisam ser realizadas. Outras pessoas memorizam a partir da repetição em voz alta da informação que precisa ser armazenada. Também existem aquelas que memorizam melhor se visualizarem imagens relacionadas ao dado que posteriormente será recordado.

metamemória

            Deste modo, o conhecimento sobre os próprios processos de recepção, armazenamento e recordação das informações, ou seja, da memória, auxilia que cada indivíduo organize e monitore a própria habilidade cognitiva. Cabe destacar que consultar um profissional especializado é importante para avaliar o funcionamento cognitivo, investigando se há presença de sintomas demenciais e auxiliando no conhecimento das melhores estratégias para otimização da metamemória na velhice.

Assinam o texto

Gabriela dos Santos, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), Graduada em Gerontologia pela USP, com Extensão pela Universidad Estatal Del Valle de Toluca. Assessora científica.

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva- Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do curso de Bacharelado e do Programa de Mestrado em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo (GETCUSP). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo, parceria científica do Instituto Supera de Educação.

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1 comentário para "Como otimizar a metamemória no envelhecimento?"

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  • adma aparecida chimello balhester disse:

    parabéns pra essas meninas que contribuem muito pra que as pessoas idosas melhorem o desempenho das funções cognitivas. Ótimo trabalho.!!

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