Sintomas iniciais da Doença de Alzheimer e quando procurar ajuda de um especialista?

Publicado em: 22/04/2026 Por Supera
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A Doença de Alzheimer (DA) é uma condição neurodegenerativa progressiva e irreversível, associada ao envelhecimento e principal causa de demência em pessoas idosas. Suas causas não são totalmente conhecidas, envolvendo fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. Segundo o Ministério da Saúde, caracteriza-se pela deterioração de funções cognitivas, como memória, linguagem e raciocínio. Do ponto de vista neuropatológico, Sadigh-Eteghad et al. (2015) destacam o acúmulo de placas de beta-amilóide e emaranhados de proteína tau, que levam à morte neuronal. Assim, trata-se de uma doença complexa e multifatorial, e não de um processo normal do envelhecimento.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), os sinais da Doença de Alzheimer surgem de forma sutil e progressiva, muitas vezes confundidos com o envelhecimento normal. Entre os principais sintomas estão a perda de memória recente, desorientação no tempo e espaço, dificuldades de comunicação e alterações de humor. Além disso, a Alzheimer’s Association destaca que a dificuldade em lembrar informações recentes costuma ser um dos primeiros sinais, devido ao comprometimento precoce de áreas como o hipocampo.

Além disso, o Ministério da Saúde do Brasil destaca a importância de diferenciar as alterações cognitivas próprias do envelhecimento normal daquelas associadas à Doença de Alzheimer. No envelhecimento fisiológico, podem ocorrer esquecimentos leves e esporádicos, sem impacto na rotina ou na autonomia. Já na DA, os déficits são progressivos e mais intensos, afetando principalmente a memória recente, além de linguagem, orientação e julgamento. Esses prejuízos comprometem as atividades diárias e a independência, caracterizando um quadro patológico. Assim, enquanto o envelhecimento normal envolve mudanças leves, a DA leva à perda funcional significativa, sendo essencial reconhecer essa diferença para um diagnóstico adequado.

Segundo o Relatório Nacional sobre Demência (ReNaDe), cerca de 70% dos casos de demência correspondem à doença de Alzheimer. Além disso, estima-se que aproximadamente 1,85 milhão de pessoas vivam com algum tipo de demência no Brasil (Ministério da Saúde, 2024). Assim, compreende-se a relevância da doença de Alzheimer como um importante problema de saúde pública.

Diante desse cenário, torna-se fundamental reconhecer os sinais que indicam a necessidade de busca por auxílio profissional. Entre eles, destacam-se (ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2019):

  • Piora cognitiva progressiva ao longo de meses ou anos;
  • Aumento dos esquecimentos, em que a pessoa não consegue lembrar mesmo após algum tempo — diferentemente dos esquecimentos comuns, em que a lembrança retorna depois;
  • Dificuldades em habilidades cognitivas, como a realização de atividades anteriormente familiares;
  • Alterações de personalidade, como uma pessoa calma tornar-se agressiva ou alguém sociável tornar-se apático e isolado;
  • Sentimentos de frustração, com irritação consigo mesma por não conseguir realizar tarefas simples;
  • Percepção da família, quando o núcleo familiar passa a notar mudanças no comportamento e no funcionamento da pessoa ao longo do tempo.

Ao notar essas mudanças, é fundamental buscar uma avaliação médica. De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico não surge em um exame de sangue comum, mas sim de uma investigação detalhada que analisa a rotina e as mudanças percebidas. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), são aplicados testes de memória e exames de imagem, como a ressonância magnética, para descartar outras causas, como deficiência de vitaminas. A Alzheimer’s Association reforça que identificar esses sinais logo no início faz toda a diferença: o diagnóstico precoce permite que o tratamento comece cedo, ajudando a controlar os sintomas e a manter a independência do idoso por mais tempo. Descobrir a condição no começo oferece à família a segurança de planejar o futuro com menos angústia e mais informação.

Nesse contexto, é importante compreender que a ajuda profissional não deve ser buscada apenas quando a doença estiver avançada. O gerontólogo atua desde os primeiros sinais, orientando a adaptação da rotina, enquanto o diagnóstico médico identifica a doença. Buscar suporte precocemente permite um cuidado mais organizado e acolhedor.

O profissional de Gerontologia desempenha um papel fundamental. De acordo com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG), esse profissional atua na gestão do cuidado e na promoção da qualidade de vida, com intervenções que vão além dos medicamentos. Na prática, auxilia na identificação de aspectos biopsicossociais, propõe atividades de estimulação cognitiva e orienta a família, contribuindo para a manutenção da autonomia e do bem-estar da pessoa idosa.

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Referências Bibliográficas:

ALZHEIMER’S ASSOCIATION. Ajuda sobre Alzheimer e demência. Disponível em: https://www.alz.org/br.

BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Doença de Alzheimer. Disponível em: saude.gov.br.

CHAVES, Márcia L. F. et al. Diagnóstico de doença de Alzheimer no Brasil: critérios diagnósticos. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 30, n. 1, suplemento, 2008.

SADIGH-ETEGHAD, Saeed et al. Amyloid-Beta: A Crucial Factor in Alzheimer’s Disease. Medical Principles and Practice, v. 24, p. 1–10, 2015. Disponível em: karger.com.

Cuidado Integral. Relatório nacional sobre a demência: epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relatorio_nacional_demencia_brasil.pdf .

FRUET, Ana Carolina et al. Repercussões da doença de Alzheimer no cotidiano do idoso e cuidador familiar. Psicologia, Saúde & Doenças, Lisboa, v. 24, n. 1, p. 279-288, 2023. Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde. Disponível em: https://doi.org/10.15309/23psd240124.

SILVA, Marcos Vinícius Ferreira et al. Alzheimer’s disease: risk factors and potentially protective measures. Journal of Biomedical Science, v. 26, p. 33, 2019. Disponível em:https://doi.org/10.1186/s12929-019-0524-y

Assinam este texto:

Beatriz Bagli Moreira – Graduanda do curso de Bacharelado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Atua como monitora do Programa de Estimulação Cognitiva Mentes Ativas, coordenado pela Profa. Dra. Thais Bento.  É bolsista de Iniciação CNPq, desenvolvendo pesquisa sobre a análise da relação entre estratégias de memorização e o desempenho cognitivo em pessoas idosas saudáveis participantes de uma intervenção de estimulação cognitiva. E-mail: beatrizbagli@usp.br | Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1642010505455974    

Betsabe Aparecida Jorge Ylla – Graduanda do curso de Bacharelado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Atua como monitora do projeto Idosos On-line – Letramento Digital da USP 60+, coordenado pela Profa. Dra. Meire Cachioni. E-mail: Betsabe@usp.br

Nathália Kubo Barboza – Graduanda do curso de Bacharelado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH -USP). Atua como bolsista no grupo de pesquisa BRANCH, coordenado pela Profa. Dra. Mônica Yassuda. E-mail: nathaliakubobarboza@usp.br

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da USP. Docente do curso de Bacharelado e de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Coordenadora de grupos de apoio da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É parceira científica do Método Supera na condução de ensaios clínicos de estimulação cognitiva. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

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