Prevenção de quedas na velhice por que este tema é importante?

Publicado em: 26/06/2026 Por Supera

Você sabia que uma em cada três pessoas com 65 anos ou mais sofre pelo menos uma queda por ano? Embora muitas vezes sejam vistas como consequências inevitáveis do envelhecimento, as quedas podem ser prevenidas e representam um importante desafio para a saúde pública e para a qualidade de vida das pessoas idosas.

As consequências vão muito além de uma fratura. Além das lesões físicas, a experiência de uma queda pode gerar medo de cair novamente, redução da mobilidade, diminuição da participação em atividades sociais e perda de autonomia. Por isso, a prevenção de quedas é considerada uma das estratégias mais importantes para promover um envelhecimento saudável, ativo e seguro.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2026), as quedas estão entre as principais causas de lesões não fatais e de perda de funcionalidade em pessoas idosas, representando um importante problema de saúde pública. Estima-se que cerca de um terço das pessoas com 65 anos ou mais sofra pelo menos uma queda ao longo do ano, sendo esse risco ainda maior entre os mais longevos.

Segundo Kalache, Veras e Ramos (1987), o aumento da expectativa de vida exige que os sistemas de saúde ampliem seu foco para além do tratamento de doenças, incorporando estratégias de promoção da saúde e prevenção de agravos. Nesse contexto, prevenir quedas significa preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.

Por que as quedas acontecem?

As quedas raramente acontecem por uma única causa. Na maioria das vezes, resultam da interação entre fatores biológicos, clínicos, comportamentais e ambientais.

Entre as alterações relacionadas ao envelhecimento que podem aumentar a vulnerabilidade estão a redução da força muscular, alterações do equilíbrio, diminuição da velocidade da marcha e mudanças nos sistemas visual e vestibular. Além disso, doenças crônicas, uso simultâneo de múltiplos medicamentos e comprometimentos sensoriais também podem elevar o risco.

De acordo com Pereira e Kanashiro (2022), a avaliação dos fatores associados às quedas deve considerar a pessoa idosa de forma integral, abrangendo condições de saúde, funcionalidade, aspectos cognitivos e contexto social.

Entretanto, nem todos os riscos estão relacionados ao organismo. O ambiente domiciliar exerce papel fundamental na ocorrência desses eventos. Em revisão sistemática conduzida por Melo e colaboradores (2014), os autores identificaram que tapetes soltos, pisos escorregadios, iluminação inadequada, degraus sem sinalização e ausência de barras de apoio figuram entre os fatores ambientais mais frequentemente associados às quedas.

Você já observou os riscos existentes dentro de casa?

Muitas vezes, pequenas adaptações podem contribuir significativamente para a segurança da pessoa idosa:

  • Retirar tapetes soltos ou fixá-los adequadamente;
  • Melhorar a iluminação dos ambientes;
  • Instalar barras de apoio em banheiros e corredores;
  • Manter objetos de uso frequente em locais de fácil alcance;
  • Utilizar calçados fechados e antiderrapantes;
  • Evitar fios elétricos e obstáculos em áreas de circulação.

Embora simples, essas medidas podem reduzir consideravelmente a exposição a riscos no cotidiano.

O Ministério da Saúde também recomenda a revisão periódica de medicamentos, o acompanhamento regular das condições de saúde e a prática de atividades físicas como estratégias importantes para a prevenção de quedas e a manutenção da autonomia da pessoa idosa.

O papel da atividade física na prevenção

Entre as estratégias preventivas com maior respaldo científico, destaca-se a prática regular de atividade física.

Uma revisão sistemática realizada por Carlini Junior e colaboradores (2021) demonstrou que programas de exercícios voltados para fortalecimento muscular, treinamento de equilíbrio e coordenação motora estão associados à redução da ocorrência de quedas e à melhora da capacidade funcional de pessoas idosas.

Além dos benefícios físicos, a atividade física contribui para o aumento da autoconfiança, da mobilidade e da participação social, fatores diretamente relacionados ao envelhecimento saudável.

A importância do profissional gerontólogo na prevenção de quedas

Por se tratar de um fenômeno complexo e multifatorial, a prevenção de quedas demanda atuação interdisciplinar. Médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, educadores físicos e outros profissionais desempenham papéis importantes nesse processo.

Nesse cenário, o gerontólogo contribui por meio de uma visão abrangente do envelhecimento, considerando simultaneamente aspectos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Sua atuação inclui a identificação de fatores de risco, o desenvolvimento de ações educativas, a orientação de adaptações domiciliares e a articulação entre diferentes profissionais e serviços.

A própria Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) reconhece entre as atribuições do gerontólogo o planejamento de ações de promoção, prevenção, atenção e recuperação da saúde, reforçando sua contribuição para iniciativas voltadas à prevenção de quedas.

Informação também é prevenção

Promover ambientes seguros, estimular a prática de atividades físicas e ampliar o acesso à informação são estratégias fundamentais para reduzir a ocorrência de quedas e seus impactos.

Para profissionais, familiares, cuidadores e pessoas idosas que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o tema, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a cartilha Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas, que reúne orientações práticas sobre adaptação do ambiente doméstico, identificação de fatores de risco e cuidados que contribuem para um envelhecimento mais seguro e independente.

A cartilha pode ser acessada gratuitamente pelo portal da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde e constitui uma importante ferramenta de educação em saúde para pessoas idosas, familiares, cuidadores e profissionais.

Referências consultadas:

BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção de quedas em pessoas idosas. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/prevencao_quedas_pessoas_idosasimp.pdf. Acesso em: 22 jun. 2026.

CARLINI JUNIOR, Reginaldo José et al. Benefícios da prática de exercícios resistidos na prevenção de quedas em idosos: revisão sistemática. Caderno de Educação Física e Esporte, v. 19, n. 3, 2021. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/cadernoedfisica/article/view/26964. Acesso em: 22 jun. 2026.

CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES (CBO). Ações em Saúde do Gerontólogo. Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/home.jsf. Acesso em: 22 jun. 2026.

KALACHE, Alexandre; VERAS, Renato Peixoto; RAMOS, Luiz Roberto. O envelhecimento da população mundial: um desafio novo. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 21, n. 3, p. 200-210, 1987. Disponível em: https://revistas.usp.br/rsp/article/view/23421. Acesso em: 22 jun. 2026.

MELO, Ruth Caldeira de et al. Fatores ambientais e risco de quedas em idosos: revisão sistemática. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1809-9823.2014.13087. Acesso em: 22 jun. 2026.

PEREIRA, Cristiana Borges; KANASHIRO, Aline Mizuta Kozoroski. Falls in older adults: a practical approach. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, São Paulo, v. 80, n. 8, p. 814-824, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35976297/. Acesso em: 22 jun. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Step Safely: Strategies for Preventing and Managing Falls Across the Life-Course. Geneva: World Health Organization, 2021. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/978924002191-4. Acesso em: 22 jun. 2026.

Autores 

Ana Paula Januário de Aquino – Graduanda em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP). Desenvolve atividades relacionadas ao envelhecimento, promoção da saúde e qualidade de vida da pessoa idosa. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8220411791955109

Lucio Clerc da Silva Irio – Graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e graduando em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP). Proprietário do Studio Estações Sênior Fitness, atua nas áreas de envelhecimento ativo, atividade física e promoção da saúde da pessoa idosa.

Djessica Hilton Peixoto – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP) e Assessora Científica no Método SUPERA – Ginástica para o Cérebro. Pesquisadora e integrante do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo (GETCUSP). Atua como monitora da Oficina de Jogos Digitais e Educação para o Envelhecimento Saudável, vinculada ao programa USP 60+, sob coordenação da Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva. Desenvolve atividades relacionadas ao envelhecimento, estimulação cognitiva, inclusão digital e promoção da saúde da pessoa idosa. E-mail: djessicahiltongeronto@gmail.com

Kauane Macedo Barbosa – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP) e Assessora Científica no Método SUPERA – Ginástica para o Cérebro. Atua como pesquisadora e integrante do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo (GETCUSP). Participa como monitora da Oficina de Jogos Digitais e Educação para o Envelhecimento Saudável, vinculada ao programa USP 60+, sob coordenação da Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva. Desenvolve atividades nas áreas de envelhecimento, estimulação cognitiva, inclusão digital, educação gerontológica e promoção da saúde da pessoa idosa. E-mail: gerontokauane@gmail.com

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Docente do curso de Bacharelado e de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH- USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Coordena Grupos de Apoio para cuidadores da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É parceira científica do Método Supera com a condução de ensaios clínicos. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo. E-mail: thaisbento@usp.br    

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