Entendendo a neurodiversidade e a neurodivergência: a importância do respeito e inclusão

Publicado em: 10/07/2024 Por Supera

A neurodiversidade é um conceito que reconhece e valoriza as variações naturais no funcionamento cerebral humano. Surgido no final do século XX, esse movimento desafia a visão tradicional de que diferenças neurológicas, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), devem ser corrigidas ou curadas. Em vez disso, a neurodiversidade celebra essas diferenças como aspectos fundamentais da identidade de cada pessoa (Araújo et. al., 2023)

O termo “neurodiversidade” foi introduzido por Judy Singer em 1998 para oferecer uma nova visão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em seu livro “NeuroDiversity: The Birth of an Idea”, ela narra suas experiências pessoais, incluindo ser criada por uma mãe com TEA e ter uma filha que mostrou um desenvolvimento atípico nos primeiros anos de vida.

A autora também compartilha sua própria vivência como alguém “dentro do espectro”, uma expressão usada para descrever indivíduos com interesses restritos e dificuldades sociais, mas que não se enquadram nos critérios diagnósticos para TEA, uma condição hoje conhecida como fenótipo ampliado do autismo (Endres, Sbicigo, Sales, & Bosa, 2020).

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Inclusão na Educação

No Brasil, a inclusão educacional é um dos pilares da neurodiversidade. Políticas como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva têm sido fundamentais para garantir que todas as crianças, independentemente de suas condições neurológicas, tenham acesso à educação (MEC, 2008). Essas políticas não apenas facilitam a adaptação das escolas às necessidades dos alunos, mas também promovem um ambiente onde a diversidade é celebrada.

Desafios e Críticas

Apesar dos avanços, o movimento da neurodiversidade enfrenta desafios. Uma crítica comum é que ele se concentra em indivíduos de “alto funcionamento”, não representando adequadamente aqueles com formas mais graves de autismo (Ortega, 2009).

Respeitar e incluir pessoas neurodivergentes não é apenas uma questão de justiça, mas também de enriquecimento social. Estudos mostram que o conhecimento e a convivência com essas pessoas reduzem o estigma e promovem uma maior empatia e compreensão.

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A neurodiversidade nos convida a ver além das diferenças neurológicas, reconhecendo o valor intrínseco de cada indivíduo. Promover o respeito e a inclusão não só melhora a qualidade de vida para essas pessoas, mas também enriquece toda a sociedade com suas perspectivas únicas e valiosas, tornando um futuro mais inclusivo e compassivo para todos.

Referências:

BAKER, Dana Lee. The politics of neurodiversity: Why public policy matters. Boulder, CO: Lynne Rienner Publishers, 2011.

SINGER, Judy. Neurodiversity: The birth of an idea. 2017.

ENDRES, Renata Giuliani et al. Fenótipo ampliado do autismo e habilidades pragmáticas em pais e mães de crianças com e sem transtorno do espectro autista. Avances en Psicología Latinoamericana, v. 38, n. 2, p. 116-131, 2020.

Secretaria de Educação Especial. Ministério da Educação. [MEC]. (2008). PNEE: Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Secretaria de Educação Especial. Recuperado de http://portal.mec. gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf

ORTEGA, Francisco. Deficiência, autismo e neurodiversidade. Ciência & saúde coletiva, v. 14, p. 67-77, 2009.

ARAUJO, Ana Gabriela Rocha; SILVA, Mônia Aparecida da; ZANON, Regina Basso. Autismo, neurodiversidade e estigma: perspectivas políticas e de inclusão. Psicologia Escolar e Educacional, v. 27, p. e247367, 2023.

Profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva

Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do curso de Bacharelado e do Programa de Mestrado em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo, parceria científica do Instituto Supera de Educação.

Maria Antônia Antunes de Souza

Graduanda em Gerontologia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Foi bolsista de iniciação científica PUB do projeto intervenções psicoeducativas para a COVID-19 aliada à estimulação cognitiva no programa USP 60 + e atualmente é membro do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da USP (GETCUSP).

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