Treino da velocidade de processamento de informações para prevenção de demência: O que dizem os estudos?

Publicado em: 27/03/2026 Por Supera

O envelhecimento é acompanhado por diversas mudanças cognitivas naturais. Entre elas, uma das mais frequentemente observadas é a redução da velocidade de processamento de informações, ou seja, o tempo que o cérebro leva para perceber, interpretar e responder a estímulos do ambiente. Essa habilidade cognitiva é essencial para diversas atividades do cotidiano, como dirigir, tomar decisões rápidas, reagir a situações inesperadas e lidar com múltiplas informações simultaneamente. Estudos liderados por um grande estudioso de treino cognitivo, o Professor Timothy Salthouse indicam que o declínio da velocidade de processamento constitui um dos aspectos centrais das mudanças cognitivas associadas ao envelhecimento, podendo influenciar o desempenho em outras funções cognitivas, como memória e atenção.

Estudos realizados na área das neurociências, descrevem a velocidade de processamento como uma habilidade cognitiva, que está relacionada ao funcionamento de diferentes sistemas cognitivos, incluindo atenção, memória de trabalho e funções executivas. Durante o envelhecimento normal, pode ocorrer um declínio gradual dessa capacidade, associado a alterações neurobiológicas, como mudanças na conectividade cerebral e na eficiência das redes neurais. No entanto, estudos mostram que intervenções cognitivas estruturadas podem estimular essa habilidade e reduzir os impactos do envelhecimento sobre o desempenho cognitivo (KARBACH; SCHUBERT, 2013).

Diversos programas de treinamento cognitivo têm demonstrado resultados positivos no estímulo da velocidade de processamento em pessoas idosas. Um dos estudos mais conhecidos nessa área é o ACTIVE – Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly, é um ensaio clínico randomizado realizado com milhares de participantes idosos nos Estados Unidos, iniciado em 2002 que acompanha os participantes até os dias atuais. Os resultados indicaram que intervenções voltadas ao treinamento da velocidade de processamento produziram melhorias significativas nessa habilidade cognitiva e contribuíram para melhor desempenho em atividades do cotidiano.

Além disso, estudos de acompanhamento de longo prazo demonstraram que os benefícios do treinamento cognitivo podem persistir por muitos anos. No caso do estudo ACTIVE, participantes que realizaram treinamento apresentaram melhor desempenho cognitivo e funcional até dez anos após a intervenção, reforçando a importância de programas de estimulação cognitiva no envelhecimento saudável (REBOOK et al., 2014).

Pesquisas brasileiras também têm contribuído para essa área de conhecimento. Estudos desenvolvidos em centros de pesquisas nacionais e internacionais voltadas ao treino de memória investigaram intervenções cognitivas em idosos, incluindo programas que estimulam memória, atenção e velocidade de processamento. Os resultados indicam que o treinamento cognitivo pode gerar melhorias significativas no desempenho cognitivo e favorecer maior autonomia nas atividades diárias.

Outro aspecto importante é que a velocidade de processamento funciona como uma habilidade cognitiva básica, que sustenta outras funções mentais. Dessa forma, quando essa capacidade é estimulada, pode haver efeitos positivos indiretos em diferentes domínios cognitivos, como memória, atenção e tomada de decisão.

Assim, o treinamento da velocidade de processamento representa uma estratégia promissora para promover o envelhecimento saudável. Ao estimular a plasticidade cerebral e fortalecer habilidades cognitivas essenciais, essas intervenções podem contribuir para a manutenção da autonomia, da participação social e da qualidade de vida das pessoas idosas.

Leia também: Como as intervenções cognitivas para pessoas idosas beneficiam a qualidade de vida?

Referências 

BALL, K. et al. Effects of cognitive training interventions with older adults: a randomized controlled trial. Journal of the American Medical Association (JAMA), Chicago, v. 288, n. 18, p. 2271–2281, 2002.

KARBACH, J.; SCHUBERT, T. Training-induced cognitive and neural plasticity. Frontiers in Human Neuroscience, Lausanne, v. 7, p. 48, 2013.

REBOOK, G. W. et al. Ten-year effects of the ACTIVE cognitive training trial on cognition and everyday functioning in older adults. Journal of the American Geriatrics Society, New York, v. 62, n. 1, p. 16–24, 2014.

SALTHOUSE, Timothy A. The processing-speed theory of adult age differences in cognition. Psychological Review, Washington, v. 103, n. 3, p. 403–428, 1996.

Autoria de: 

Profª Drª Adriana Nancy Medeiros dos Santos, Doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Gerontóloga e Mestra em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP), vinculado ao Departamento de Neurologia, e do Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento (LIM-66) do HC-FMUSP. É pesquisadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo. É membro da International Society to Advance Alzheimer’s Research and Treatment (ISTAART) e integra a diretoria científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG).

Profª Drª Thais Bento Lima-Silva, Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Docente do curso de Bacharelado e de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É membro da International Society to Advance Alzheimer’s Research and Treatment (ISTAART). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Compartilhar este artigo
  • X
  • LinkedIn
  • Share

Gostou desse conteúdo? Deixe um comentário ;)

  • Nenhum comentário ainda

Nenhum comentário para "Treino da velocidade de processamento de informações para prevenção de demência: O que dizem os estudos?"

Faça um comentário

Supera PRESENCIAL

O Supera Ginástica para o Cérebro é voltado para todas as pessoas a partir de 5 anos, sem limite de idade. O curso potencializa a capacidade cognitiva aumentando a criatividade, concentração, foco, raciocínio lógico, segurança, autoestima, perseverança, disciplina e coordenação motora. As aulas, ministradas uma vez por semana com duração de duas horas, são dinâmicas e contagiantes, com atividades que agradam todo tipo de público.

Supera para escolas Método de estimulação cognitiva

Exclusivo para Instituições de Ensino. O Supera é a mais avançada ferramenta pedagógica de estimulação cognitiva e, portanto, representa um grande diferencial para sua instituição de ensino. Além de ser um excelente recurso de marketing, o método melhora o desempenho dos alunos e eleva os índices de aprovação da sua escola.

Franquia SuperaEmpreenda em Educação

Criado em 2006, o Supera é hoje a maior rede de escola de ginástica para o cérebro do Brasil. Em um ano de operação, entrou para o sistema de franquias e hoje já possui 250 unidades no país. O curso, baseado em uma metodologia exclusiva e inovadora, alia neurociência e educação. Se você tem interesse em empreender nesta área, deixe seu cadastro em nosso site.