Entrevista com Thaís Bento Lima – Saiba tudo sobre Alzheimer

Publicado em: 13/09/2019 por: Assessoria de Imprensa SUPERA

Dia 21 de setembro é comemorado o Dia Mundial de Conscientização e Prevenção da Doença do Alzheimer. O SUPERA selecionou as principais perguntas e a gerontóloga Thaís Bento Lima tirou as dúvidas em uma entrevista completa sobre o assunto. Confira:

qualidade de vida
Thais Bento Lima da Silva, Gerontóloga pela Universidade de São Paulo, Mestre e Doutoranda em Neurologia Cognitiva e Envelhecimento.
  1. Quais métodos são utilizados para tratar pessoas com Alzheimer?

TBLS: O tratamento medicamentoso da Doença de Alzheimer é sintomático e deve ser iniciado precocemente. Ele é dividido em tratamento farmacológico e tratamento não-farmacológico. As terapias medicamentosas envolvem drogas cujo objetivo principal é atuar para melhorar o desempenho cognitivo dos pacientes com diagnóstico de Doença de Alzheimer, e consequentemente, amenizar as alterações comportamentais decorrentes desta demência. Há uma outra classe de medicamentos que costuma ser recomendado principalmente para pacientes que encontram-se no estágio moderado da doença de Alzheimer.

É importante destacar que no momento a Doença de Alzheimer não apresenta cura, mas o tratamento medicamentoso é uma alternativa para melhorar uma habilidade mental prejudicada, de modo a colaborar para a melhoria das informações aprendidas recentemente.

Para intervir na Doença de Alzheimer, é importante também fornecer ao paciente as chamadas terapias não farmacológicas, que são estímulos que visam auxiliar no preenchimento de rotina do paciente e com efeitos benéficos nos aspectos físicos, nutricionais, sociais e cognitivos. Na Gerontologia e na Neurologia Cognitiva destacamos que o tratamento do paciente com Doença de Alzheimer deve ser multiprofissional e interdisciplinar; pois envolve um olhar global e abrangente da vida do indivíduo e de suporte e ações educativas aos familiares e cuidadores.

Recomenda-se para familiares e cuidadores a participação em grupos socioeducativos, para que se possa ter uma melhor compreensão do processo da doença de Alzheimer e a psicoterapia, para troca de experiências sobre o manejo de dificuldades da doença.

  • Como melhorar o bem-estar e diminuir a progressão da doença?

TBLS: É importante ressaltar que após ser feito o diagnóstico, a atenção de todos; inclusive dos próprios pacientes, volta-se principalmente para habilidades cognitivas que estão prejudicadas, esquecendo-se que o tratamento da doença envolve a psicoeducação para a família e paciente, terapias farmacológicas e não farmacológicas. Esquecem também que nas fases inicial e moderada da doença há habilidades mantidas.

As terapias não farmacológicas são importantes e apresentam evidências científicas. Terapias como programas educacionais e treinamento de cuidadores podem diminuir o estresse e a sobrecarga de pacientes e cuidadores, pois adquirem estratégias para lidar com os desafios dos estágios do Alzheimer. Para este tipo de suporte, algumas associações não governamentais, como a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) realiza suporte educativo e terapêutico gratuitos em todos os estados brasileiros. O endereço destes grupos que contam com a presença de profissionais especialistas voluntários, podem ser obtidos no site: http://abraz.org.br/web/

Quando pensamos no paciente, as intervenções como a prática de atividades físicas, a realização de estimulação cognitiva como a ginástica cerebral oferecida pelo Método SUPERA, podem reduzir as alterações de sintomas comportamentais e psiquiátricos, assim como minimizar déficits cognitivos que acontecem com o curso da doença, mantendo-o por mais tempo em determinado estágio da doença; ou seja, postergando um declínio que poderia ser mais rápido e progressivo.

Desta maneira, será cada vez mais necessário serviços e profissionais especializados em demências para que pacientes, cuidadores familiares e cuidadores formais possam ter maior qualidade de vida e suporte para lidar com o avanço do quadro clínico da doença.

  • Quais os hábitos ajudam a prevenir o Alzheimer?

TBLS: A Organização Mundial de Saúde (OMS), destacou algumas diretrizes em 2017 para a diminuição de fatores de risco para o desenvolvimento de demência, sendo sugeridas as seguintes ações: a realização de atividades físicas regulares; a prática de exercícios de estimulação cognitiva; a adesão a uma dieta balanceada; sendo o modelo mais indicado a dieta mediterrânea; e uma boa qualidade do sono.

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De modo geral, os estudos mostram que indivíduos ativos fisicamente possuem um processo cognitivo mais rápido. A prática regular de atividades físicas promove o nascimento de novos neurônios, melhora o fluxo sanguíneo cerebral e aumenta a produção de neurotransmissores do humor, fazendo com que o indivíduo tenha um melhor processo de aprendizagem e tenha menos sintomas de ansiedade e estresse, o que contribui para que ele permaneça ativo e com a saúde estabilizada.

Em relação à prática de exercícios cognitivos, sugere-se a realização de atividades intelectuais, como a realização de caça-palavras, exercícios de raciocínio, charadas, jogos de estratégia, palavras-cruzadas, jogo de xadrez, sudoku, entre outros. No Brasil, temos o Método SUPERA, primeira escola especializada em estimulação cognitiva e ginástica cerebral do Brasil, que fornece atividades capazes de garantir qualidade de vida e saúde ao cérebro, a partir de um método baseado nos princípios da neurociência. Sabe-se que os exercícios podem gerar efeitos protetores de declínio cognitivo ou postergar o aparecimento de um quadro demencial.

Em relação à dieta mediterrânea, trata-se de uma dieta que fala sobre a prática diária de exercícios físicos, o consumo diário de vegetais e alimentos integrais, o consumo diário de um cálice de vinho ou um cálice de suco de uva integral e do uso diário de azeite de oliva extra virgem; posteriormente, recomenda-se o consumo semanal de peixes e ovos e um consumo mensal de carnes. Muitos nutrientes importantes para o bom desempenho da memória estão inseridos nos alimentos desta dieta.

Quando se fala do sono, é importante atentar-se às horas necessárias de sono para uma boa qualidade de descanso. É durante o sono que se formam as novas memórias das aprendizagens adquiridas durante o dia; indivíduos com má qualidade do sono tendem a ter dificuldades no desempenho de atenção e consequentemente, tem um desempenho prejudicado na memória; além de apresentarem irritabilidade e impaciência.

  • Quais são as adaptações que devem ser feitas no ambiente físico do paciente?

TBLS: É importante a manutenção de um ambiente organizado, aonde haja locais fixos e permanentes para alocar os objetos de uso constante, como óculos, calendário, chaves e medicamentos.

Uma estratégia muito indicada para auxiliar o paciente dentro de casa é inserir pistas no ambiente, como fotografias de entes próximos ou momentos marcantes de sua vida e objetos pessoais nos cômodos aonde a pessoa passa mais tempo do dia.

É importante evitar o uso de tapetes pelos cômodos da casa, mas se o paciente insistir na manutenção, sugere fixá-los com fitas dupla face, para evitar risco de quedas na residência.

Do ponto de vista de luminosidade é importante acender as luzes antes do entardecer, pois a maioria dos pacientes com Doença de Alzheimer apresentam irritabilidade quando observam que o dia está escurecendo; consequentemente ficam com irritabilidade e agressões verbais e/ou físicas. Importante se atentar à forma como o indivíduo está tomando banho, pois há mudanças na qualidade da higienização e nas trocas de roupas. Se possível pedir ao paciente para tomar banho de portas abertas, para evitar com que ele se tranque ou caia no banheiro e tenha dificuldades para sair se machucando.

  • A rotina deste indivíduo deve mudar? De que forma?

TBLS: É importante implementar ações que visam promover a saúde deste indivíduo. A primeira etapa é valorizando a história de vida do paciente, respeitando suas preferências e particularidades, entendendo quem esta pessoa era antes do quadro da doença e refletindo que possíveis mudanças devem ser pensadas junto com a pessoa e não para a pessoa.

É importante diariamente estimular o paciente a olhar o calendário, anotar a data em que está; anotar os nomes e datas de aniversários de familiares próximos; reforçar por meio de repetição verbal e de escrita o endereço residencial e inserir atividades que possam preencher a rotina, gerando impactos positivos no bem-estar e na qualidade de vida.

Sugere-se comprar alimentos saudáveis e manter uma rotina alimentar com intervalos e um número mínimo de refeições diárias. Importante não deixar à vista do paciente doces, frituras e cachos de frutas, pois nas fases iniciais e moderadas há pessoas que ficam compulsivas e querem comer muito, mesmo que já tenha se alimentado em um curto espaço de tempo.

Sugere-se também que o indivíduo portador da Doença de Alzheimer seja sempre estimulado a realizar atividades físicas ou alguma tarefa doméstica simples dentro de casa (levar o lixo para fora, varrer a casa, arrumar a sua cama, molhar uma planta, preparar um prato simples, fazer uma ligação telefônica para um familiar próximo), pois um outro aspecto resultante do curso da doença é a apatia e a indiferença em interagir com as pessoas e realizar atividades, incluindo as mais simples.

Nas fases iniciais, sugere-se que o paciente receba suporte ou supervisão para lidar com transações bancárias complexas como saques, transferências de valores e pagamentos de contas no caixa eletrônico e receba auxílio na supervisão de seus medicamentos. São medidas de segurança ao paciente, uma vez que a memória de curto prazo está prejudicada e ele se esquecerá de realizar algumas ações se não for lembrado.

Também é importante evitar que o indivíduo resida sozinho, pois mesmo que ele tenha independência para tarefas de autocuidado, de alimentação e de deslocamento, pode ter problemas caso apresente um lapso de memória; podendo esquecer um fogo aceso, a porta de casa ou uma torneira aberta ou o gás ligado.

Caso a pessoa esteja em uma fase inicial e seja resistente às mudanças, é importante uma reunião familiar com o paciente, e posteriormente,  uma reunião com o médico responsável, para que a pessoa entenda que está em um tratamento médico e que deverá ter mudanças em sua rotina e na forma de sua moradia.

  • Existem exercícios que ajudam a estimular o bom funcionamento do cérebro, prevenindo o Alzheimer? Quais seriam?

TBLS: Quanto mais se usa o cérebro, melhor ele funciona e mais protegido ele ficará de doenças e da degeneração. Por isso; além da boa nutrição, dormir bem, fazer atividades físicas, fazer atividades de ginástica cerebral são muito importantes para a memória permanecer saudável durante o processo de envelhecimento normal.

Cientificamente, sabe-se que um dos fatores neuroprotetores mais importantes é a realização de exercícios intelectuais, popularmente conhecidos como exercícios de ginástica cerebral. Estes exercícios ilustram as metas e as ações estabelecidas pela OMS para a redução de risco de demências. Estimular o cérebro com atividades intelectuais consolida as sinapses (conexões ou ligações entre os neurônios). Ao estimular o cérebro com a prática dos exercícios, o fluxo sanguíneo aumenta; há um crescimento na produção de proteínas da aprendizagem e da rede neural. Adicionalmente, ocorre um processo chamado neurogênese; que é o nascimento de neurônios, deixando o cérebro mais resistente ao desenvolvimento de doenças neurológicas. Alguns exercícios que auxiliam no processo de proteção cerebral: Jogos de atenção, como os jogos dos sete erros, caça palavras, jogos de estratégias como o SUDOKU, o treino com o ábaco (calculadora manual) e o Jogo da Velha, jogos de estímulo à linguagem como as palavras cruzadas.

Uma dica importante é tentar sempre fazer coisas novas e estar em interação com outras pessoas, pois assim você oferecerá novos desafios para o cérebro e permanecerá autônomo e independente por mais tempo durante seus anos de vida na velhice.

No Brasil, o Método SUPERA oferece treinamento cognitivo como forma de prevenção do aparecimento dos primeiros sintomas de doenças neurodegenerativas. A ginástica para o cérebro segue os princípios de novidade, variedade e desfaio crescente, que funcionam como estimuladores de novas conexões neurais.

  • De que maneira a família do portador pode oferecer uma qualidade de vida melhor ao paciente?

TBLS: É importante que o cuidador busque informações a respeito da doença, com orientação profissional especializada. Lidar com um paciente com este diagnóstico exige estratégias, necessidade de suporte emocional e suporte financeiro. Adicionalmente, é importante conhecer quais recursos utilizar no dia-a-dia para promover a qualidade de vida do paciente. Sabe-se, por exemplo, que ouvir música é muito relevante para diminuir alterações comportamentais e psiquiátricas decorrentes do quadro demencial. Pacientes com diagnóstico de Doença de Alzheimer se beneficiam bastante de atividades com música, melhora o humor e a interação social. De preferência, músicas que tenham significado na vida da pessoa, que são de sua preferência e de momentos que marcaram a sua vida.

A caminhada é uma atividade física bastante interessante, pois diminui os sintomas de perambulação e irritabilidade. Intervenções com animais domésticos, chamada de PET-Terapia, também é eficaz pois ameniza as alterações comportamentais e atua como um estímulo para a afetividade do paciente. A estimulação cognitiva tem suma importância, pois auxilia com que o indivíduo esteja mais orientado, do ponto de vista temporal (para datas) e do ponto de vista espacial (para lugares), uma vez que são habilidades cognitivas prejudicadas nos estágios iniciais e moderados da Doença de Alzheimer.

Assessoria de Imprensa SUPERA

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