Dia da leitura: como ler um livro estimula o seu cérebro

Publicado em: 07/10/2021 Por Assessoria de Imprensa SUPERA

Qual foi a última vez que você leu um livro até o fim? Para muita gente, a resposta é espantosa e os motivos são inúmeros. O principal deles, até mesmo para os amantes da leitura – a falta de tempo.

Para além da capacidade intelectual e de traços próprios da inteligência, é possível identificar um bom leitor pela capacidade que o seu cérebro desenvolveu para um conjunto complexo de mecanismos ajustados à leitura.

Dia da leitura: como ler um livro estimula o seu cérebro - SUPERA - Ginástica para o Cérebro

A qualidade da leitura é um índice que reflete diretamente na qualidade dos nossos pensamentos e é a melhor ferramenta que temos para nossa evolução como espécie.

O que acontece no cérebro quando lemos algo?

Um estudo recente sobre rastreamento ocular mapeou que um leitor fluente é capaz de ler cerca de 200 palavras por minuto. Tudo o que sabemos antes de ler nos prepara para reconhecer mais depressa cada contexto apresentado na leitura.

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“É possível entender esse processo melhor quando pensamos no exemplo do corretor ortográfico que sugere uma palavra antes dela ser escrita no celular. Nosso cérebro faz a mesma coisa – são as predições proativas, que aceleram a nossa compreensão sobre um assunto e, para conseguir fazer as predições, o cérebro busca dados na memória de trabalho (memória de curtíssimo prazo em que processamos as tarefas que estamos realizando no momento), na memória de longo prazo e nos conhecimentos estocados sobre os assuntos. Quanto maior o conhecimento e melhor o funcionamento das memórias, melhor nossa compreensão dos conteúdos lidos”, explicou Livia Ciacci, Neurocientista do SUPERA – Ginástica para o cérebro.

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Leio o dia inteiro… na internet. Isso é bom ou ruim?

Palavras muito comuns em contextos curtos – como legendas, placas e sinalizações são processadas diretamente a partir do sistema visual, sem passar por uma recodificação fonológica, é automático.

Já um livro é composto de uma narrativa muito mais complexa, carregado de contextos e inferências além da pura informação literal.

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“No livro, o processo de compreensão é mais lento, pois estamos integrando informações, fazendo inferências, deduções e associações, então, ocorrerão pausas devido a maiores cargas de processamento. No livro o processo sensorial leva a uma leitura profunda e focada, que formará imagens e criará um universo mental de tudo que está sendo relatado no texto”, detalhou a especialista.

Ganhos a longo prazo

Quanto mais lemos, maior o nosso repertório pessoal. Quanto maior o repertório, mais recursos intelectuais são aplicados ao que se lê. “Quem lê pouco acaba com menor repertório e terá menos bases para fazer inferências e associações – são as maiores vítimas das fake news e informações duvidosas. Outro ganho para o cérebro que também é essencial para a vida em sociedade é a capacidade de empatia. A leitura profunda de livros e histórias formam imagens e criam o desenrolar de situações na mente, que transporta a pessoa para a perspectiva do autor ou do personagem – essa mesma habilidade treinada pela leitura é que trará a capacidade de empatia nas relações e nos pensamentos”, detalhou Livia Ciacci, Mestre em Sistemas Neuronais do SUPERA – Ginástica para o cérebro.

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Leitura digital X leitura analógica

A leitura é uma habilidade construída. Nós não nascemos leitores, mas nascemos capazes de identificar formatos e atribuir significados. Entretanto, cada leitura trabalha mais certos processos cognitivos em detrimento de outros.

Segundo Livia, quando lemos nas telas digitais, fazemos movimentos em zigue-zague com os olhos, como em um caça-palavras. Captamos o contexto, pulamos para as conclusões, e voltamos no corpo do texto só se for necessário.

“Uma pesquisadora Norueguesa (Anne Mangen) já provou que a compreensão da leitura em telas é diferente da leitura em papel. No estudo, com estudantes que leram materiais impressos e digitais, ela concluiu que os estudantes que leram na tela ignoraram grande parte do enredo e concluiu que na tela, o leitor fica ausente a dimensão espacial e concreta do livro, que indica onde estão as coisas. Ler através das telas funciona perfeitamente bem quando precisamos trabalhar com dados rápidos, informações objetivas, curtas e dinâmicas, mas, se quisermos entender algo em profundidade? A leitura em papel é o melhor caminho”, concluiu.

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Quer melhorar o hábito de leitura? Confira algumas dicas:

  • Opte por estilos de linguagem leves e assuntos que sejam do seu interesse;
  • Comece por leituras que vão exigir um esforço muito grande do cérebro;
  • Tenha a expectativa da leitura escolhendo um livro que você goste muito do assunto, ou que pelo menos tenha curiosidade;
  • Deixe o livro sempre em fácil acesso (na bolsa, do lado da cama) e evitar os dispositivos digitais quando for ler – eles sempre vão distraí-lo;
  • Institua pequenos prazos para avançar na leitura, por exemplo 5 páginas por dia;
  • Aproveite os canais que exploram resenhas e dicas de leitura.
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