Como os neurotransmissores controlam as emoções?

Publicado em: 06/04/2022 Por Isabella Rabelo

Já imaginou poder sentir felicidade quando quiser? Parece um sonho distante, não é mesmo? A verdade é que não existe receita para isso, mas a ciência já está descobrindo muitas novas informações sobre a química do cérebro.

Desde o momento que abrimos os olhos e experimentamos as primeiras sensações da vida até a busca pela realização dos nossos sonhos, temos um verdadeiro ballet químico dentro do cérebro!

Como os neurotransmissores controlam as emoções? - SUPERA - Ginástica para o Cérebro
Contato humano está diretamente ligado a ativação de neurotransmissores no cérebro

Estas substâncias químicas são conhecidas como neurotransmissores e são responsáveis por regular emoções como o medo, desejo, bem-estar, alegria, satisfação e vínculos com outras pessoas.

Mas será que o conhecimento sobre neurotransmissores pode nos dar dicas práticas para a vida? Se os neurotransmissores regulam as emoções, será que os nossos comportamentos podem influenciar na química do cérebro? Leia o artigo até o final para descobrir. 

A neurocientista do SUPERA, Livia Ciacci, explica.

Quando fazemos carinho em um animal ativamos neurotransmissores como a ocitocina
Abraços e bons relacionamentos interferem diretamente na ativação de neurotransmissores

Continue para descobrir o que são os neurotransmissores e como alguns comportamentos podem ajudá-los a funcionar melhor no seu cérebro.

O que é um neurotransmissor?

Neurotransmissor parece um nome para algo difícil, mas essa palavra, que aparentemente nos soa complexa, significa “neuro” – de cérebro e “Transmissor” – de mensageiro. São mensageiros neuronais – como se fossem carteiros que levam mensagens de uma célula a outra no cérebro.

Qual é a função de um neurotransmissor?

Imagine a seguinte situação: Você sente vontade de saborear um doce, se levanta e busca um chocolate. Ao abrir a embalagem a boca já está salivando e então sente uma sensação de prazer a cada pedacinho dessa gostosura.

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Isso é tudo o que podemos observar do lado de fora da nossa mente, mas enquanto isso temos uma orquestra de células e neurotransmissores regulando cada etapa, desde o desejo pelo chocolate que é causado pela memória de que aquilo é saboroso até a motivação de levantar da cadeira e ir buscá-lo.

Para realizar qualquer movimento, resgatar uma memória, falar e sentir, nossos neurônios precisam estabelecer conexões uns com os outros, conforme representado na imagem acima.

Todas as vezes que essa conexão ocorre existe a transmissão sináptica, que é a ação de um neurônio se comunicar com outro.

O primeiro neurônio se chama pré-sináptico, enquanto o segundo se chama pós-sináptico. Quando um neurônio “fala” com outro, ele está liberando neurotransmissores no espaço entre eles.

Neurônios, sinais químicos? SUPERA, simplifica pra gente!

Imagine que em todo o cérebro temos bilhões de neurônios conectados em rede, eles conversam entre si utilizando os neurotransmissores como uma “linguagem”.

Os tipos diferentes de neurotransmissores terão significados variados dependendo do local e da combinação com outros neurotransmissores, podendo ativar ou inibir as células seguintes. Assim como uma frase pode ter significados diferentes de acordo com a pontuação!

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Quando fazemos carinho em um animal ativamos neurotransmissores como a ocitocina

Emoções e neurotransmissores, o que sabemos?

Neurotransmissores são substâncias classificadas em diferentes grupos de acordo com sua constituição química. A acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor a ser identificado em 1914, e desde então já catalogamos mais de 100 substâncias diferentes.

Vamos comentar apenas alguns que você provavelmente já ouviu falar!

Dopamina

Muitas pessoas resumem a dopamina aos sentimentos de satisfação e prazer, mas não é bem assim! Ela atua junto com outros neurotransmissores nos caminhos do cérebro relacionados à recompensa, mas a maior contribuição da dopamina está na motivação e não no prazer em si!

Como os neurotransmissores controlam as emoções? - SUPERA - Ginástica para o Cérebro
Bons sentimentos como a alegria estão diretamente ligada a ativação de neurotransmissores

Os circuitos de dopamina no cérebro funcionam como um motor, não como uma meta. Ela é a molécula do desejo e não do prazer. Podemos dizer que é um neurotransmissor que vive no futuro, pois quando conseguimos aquilo que desejamos a dopamina sai de cena e entram outras moléculas modulando a sensação de bem-estar e prazer.

Muitas pessoas confundem dopamina como um prêmio, mas lembre-se, ela não é o final, é o antes!

Dopamina não atua sozinha e não está só na motivação, ela também está envolvida na regulação da nossa coordenação motora e equilibra os estados de humor.

Como posso colaborar com as funções da dopamina?

Manter uma mentalidade sempre aberta a experimentar novos desafios é um comportamento alinhado à motivação. Sempre ganhamos confiança quando percebemos que conseguimos avançar em coisas que antes pareciam difíceis.

Serotonina

Serotonina atua junto com a noradrenalina sendo importantes determinantes do humor! Níveis baixos desses dois neurotransmissores são associados a quadros depressivos, e o exercício físico tem efeitos antidepressivos justamente porque ativa quimicamente a via noradrenérgia e serotonérgica no hipocampo.

A quantidade de funções que a serotonina tem é extremamente complexa, citando alguns exemplos, ela atua na modulação do foco e atenção, ela deixa os neurônios motores mais sensíveis para conseguirmos responder a reflexos rápidos, além do controle da alimentação e do sono.

O SUPERA ajuda no seu processo de auto conhecimento! Aproveite para conhecer agora o método que já mudou a vida de mais de 200 mil pessoas!

Como posso colaborar com as funções da serotonina?

Você pode ajudar no equilíbrio das suas vias de serotonina respeitando uma rotina de alimentação, sono e atividade física! Manter um ritmo consistente de atividade física, comer nos mesmos horários sem pular refeições, dormir e acordar também mais ou menos nos mesmos horários auxilia a regulação interna do metabolismo e vai te deixar muito mais bem humorado!

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Ocitocina

É a substância que está presente na modulação dos comportamentos interativos com outras pessoas. Isso quer dizer que ela está presente nos circuitos neuronais das emoções quando estamos observando outras pessoas e tentando entender quais emoções elas estão expressando. Se eu consigo perceber que alguém próximo está bravo ou triste, é porque a ocitocina ajudou meu cérebro a interpretar a fisionomia e postura do outro. 

Exatamente por essa função de reconhecimento de emoções que é através da modulação da ocitocina que conseguimos confiar nas pessoas e criar vínculos. Todo gesto que demonstra confiança e proximidade faz com que a ocitocina acalme a área do cérebro que nos deixa alerta aos perigos – conhecida como amígdala.

Ocitocina tem efeitos positivos e protetores da saúde do corpo como um todo – por isso dizemos que ter bons relacionamentos e namorar faz bem para a saúde.

A ocitocina fomenta não só o nosso vínculo com o outro, mas também o vínculo com nós mesmos, por isso ela também é responsável pela sensação de inveja quando nos comparamos.

Como posso colaborar com as funções da ocitocina?

Quando me dedico a um processo de autoconhecimento e evito me comparar. Quando treino a minha empatia buscando manter bons relacionamentos, cheios de beijos e abraços.

B-Endorfinas

O cérebro produz três analgésicos naturais – a b-endorfina, a encefalina e a dinorfina, sendo que a mais estudada é a b-endorfina. Ela tem um pico de liberação durante e após exercícios físicos e mostra efeitos analgésicos e eufóricos, contribuindo para aliviar tensões e ansiedade.

Como posso colaborar com as funções da b-endorfina?

Mantendo sempre o corpo em movimento! Não temos estudos conclusivos que afirmem que a b-endorfina é a maior responsável pelos benefícios físicos e mentais do exercício físico, mas já sabemos que a atividade física é decisiva na longevidade e saúde.

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