Como o estado emocional interfere na saúde cognitiva de pessoas idosas?

Publicado em: 01/04/2026 Por Supera

O envelhecimento populacional tem intensificado o interesse científico sobre os fatores que influenciam a saúde cognitiva na velhice. Entre esses fatores, o estado emocional desempenha um papel fundamental, podendo tanto proteger quanto comprometer funções cognitivas como memória, atenção e raciocínio.

Estudos indicam que condições como ansiedade, estresse e depressão estão associadas a um maior risco de declínio cognitivo em pessoas idosas. Em pesquisa realizada por Lupien em (2009), o estresse crônico, por exemplo, promove a liberação contínua de cortisol, um hormônio que, em níveis elevados, pode causar danos a estruturas cerebrais importantes para a memória, como o hipocampo. Dessa forma, indivíduos expostos a altos níveis de estresse ao longo do tempo tendem a apresentar maior vulnerabilidade a prejuízos cognitivos.

No estudo liderado por Livingston et al., (2020). Além disso, a depressão é considerada um dos principais fatores de risco para o comprometimento cognitivo e pode, inclusive, anteceder quadros demenciais. Segundo pesquisas, idosos com sintomas depressivos apresentam pior desempenho em testes cognitivos e maior probabilidade de desenvolver demência ao longo dos anos. Esse impacto ocorre porque a depressão afeta tanto aspectos neurobiológicos quanto comportamentais, como a redução do engajamento social e da estimulação mental.

Outro aspecto importante é a influência das emoções positivas na proteção da saúde cognitiva. Idosos que mantêm uma boa qualidade de vida emocional, com suporte social, bem-estar psicológico e participação em atividades significativas, tendem a preservar melhor suas funções cognitivas. O convívio social, por exemplo, estimula o cérebro e contribui para a manutenção da chamada reserva cognitiva.

Adicionalmente, fatores emocionais também impactam hábitos de vida que influenciam diretamente a cognição, como qualidade do sono, prática de atividade física e adesão ao tratamento de doenças crônicas (FIRTH et al., 2019; LIVINGSTON et al., 2020). Assim, o cuidado com a saúde emocional deve ser compreendido como parte essencial da promoção do envelhecimento saudável.

Portanto, evidencia-se que o estado emocional exerce influência direta sobre a saúde cognitiva de pessoas idosas. A prevenção de transtornos emocionais e a promoção do bem-estar psicológico são estratégias fundamentais para reduzir o risco de declínio cognitivo e melhorar a qualidade de vida na velhice.

Leia também: Treino da velocidade de processamento de informações para prevenção de demência: O que dizem os estudos?

 Referências 

FIRTH, J. et al. The Lancet Psychiatry Commission: a blueprint for protecting physical health in people with mental illness. The Lancet Psychiatry, v. 6, n. 8, p. 675–712, 2019.

LIVINGSTON, G. et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. The Lancet, v. 396, n. 10248, p. 413–446, 2020.

LUPIEN, S. J. et al. Effects of stress throughout the lifespan on the brain, behaviour and cognition. Nature Reviews Neuroscience, v. 10, n. 6, p. 434–445, 2009.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. World report on ageing and health. Geneva: WHO, 2015.

Autoria de: 

Profª Drª Adriana Nancy Medeiros dos Santos, Doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Gerontóloga e Mestra em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP), vinculado ao Departamento de Neurologia, e do Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento (LIM-66) do HC-FMUSP. É pesquisadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo. É membro da International Society to Advance Alzheimer’s Research and Treatment (ISTAART) e integra a diretoria científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG).

Profª Drª Thais Bento Lima-Silva, Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Docente do curso de Bacharelado e de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É membro da International Society to Advance Alzheimer’s Research and Treatment (ISTAART). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

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