Francês vive normalmente com 10% de seu cérebro

Publicado em: 10/05/2017 por: Leticia Maciel

Francês vive normalmente com 10% de seu cérebro - SUPERA - Ginástica para o Cérebro

Concentrated young man with his head melting in tangled lines

A incrível história de um francês que vivia normalmente apesar de ter perdido 90% de seu cérebro, , revelada pela Revista The Lancet em 2007, voltou à tona recentemente em conferência internacional da Associação para o Estudo Científico da Consciência. Como uma pessoa pode viver normalmente com apenas 10% do cérebro? O especialista Axel Cleeremans, da Universidade Livre de Bruxelas, respondeu à pergunta.

O cérebro ainda é um órgão amplamente desconhecido. Nas últimas décadas, os cientistas nos ensinaram que o cérebro é o centro de controle do corpo e que qualquer lesão importante pode ter consequências graves, e até irreversíveis. Por isso, o extraordinário caso clínico do francês de 44 anos cuja calota craniana contém apenas líquido cefalorraquidiano assombra tanto a comunidade científica.

O homem foi ao hospital para tratar uma persistente fraqueza na perna esquerda. Após a realização de uma IRM, os médicos descobriram que 90% do cérebro dele tinha desaparecido, restando apenas uma fina superfície de tecido cerebral. No entanto, e apesar desta deficiência, o francês, que é casado, pai de dois filhos e trabalha como funcionário público, está bem e leva uma vida totalmente normal.

Os médicos comprovaram que ele dispõe de todas suas capacidades cognitivas e possui um QI global de 75, o que é inferior à média, mas superior aos valores associados a uma deficiência mental. O dia a dia dele não é perturbado, apesar de todas as áreas do cérebro que controlam a sensibilidade, a fala e a audição apresentarem reduções significativas.

Os médicos descobriram que aos seis meses de idade, o homem foi diagnosticado com hidrocefalia, uma doença caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano na calota craniana. Na época, foi realizada uma cirurgia para drenar o líquido em excesso para outras partes do corpo. Devido a outros problemas que surgiram em seguida, o tratamento foi interrompido quando ele tinha 14 anos. Foi a partir daí que o fluido recomeçou a acumular, deixando cada vez menos espaço para o cérebro.

Na revista Science Post, o professor de ciências cognitivas Axel Cleeremans destacou que o caso pode nos levar a questionar as teorias fundamentais baseadas na plena consciência. Segundo ele, talvez um cérebro que não tenha sido afetado de forma brutal, e sim progressivamente, seja capaz de se adaptar. Essa hipótese de neuroplasticidade, ou plasticidade cerebral, já é conhecida, e aplicada até hoje no processo de aprendizagem. O cérebro seria mais adaptável do que pensávamos?

Texto traduzido do site Happy Neuron, pelo jornalista Yann Walter

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