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Dia internacional da pessoa idosa e a importância da política do envelhecimento ativo

Estamos comemorando uma importante data que é o dia internacional da pessoa idosa, fruto da conquista social que é o longeviver. E quando pensando em uma maior longevidade, não podemos deixar de mencionar sobre o papel do envelhecimento ativo, como estrutura fundamental para o alcance de direitos da pessoa idosa.

Qual seria a definição de envelhecimento ativo? De acordo com a Organização Mundial de Saúde em 2005 quando este termo foi primeiramente estudado,  ele havia sido definido como uma política pública sendo aplicada individual e coletivamente, de igual modo. Caracterizava-se em relação à saúde, à participação e à segurança como pilares fundamentais. O conceito foi refinado com a adição do aspecto aprendizagem ao longo da vida, abordado e documentado na Conferência Internacional de Envelhecimento Ativo em Sevilha, em 2010.

 Neste sentido, a possibilidade do envelhecimento ativo como um processo contínuo, envolve investimentos durante todas as fases da vida. Quanto antes forem potencializadas as oportunidades de saúde, de aprendizagem, de participação e de segurança, maiores serão as chances de um indivíduo alcançar uma velhice saudável e com projetos de vida. Esses pilares são fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas que auxiliem na garantia dos direitos da pessoa idosa, levando em consideração os aspectos que tornam a população idosa heterogênea, com múltiplas faces, refletindo em diferentes velhices.

Neste sentido, a pesquisadora Ana Amélia Camarano apresenta algumas reflexões sobre a economia de recursos para o poder público quando há promoção de práticas que geram benefícios para a saúde. A pesquisadora destaca que ensinar as pessoas a cuidarem da própria saúde requer menos recursos materiais, humanos e financeiros do que investir em tratamento quando elas apresentam algum declínio na saúde. É preciso cautela para que apesar de capacitadas para cuidar de si mesmas, as pessoas não se tornem as únicas responsáveis pelo seu próprio processo de envelhecimento, havendo a necessidade de políticas públicas.

Para que a política do envelhecimento ativo e as demais políticas públicas relacionadas ao envelhecimento sejam colocadas em prática de modo efetivo, é fundamental que a sociedade reconheça seus próprios direitos e reivindique intervenções do poder público. Além disso, é essencial que profissionais especialistas no envelhecimento promovam ações que possibilitem que cada vez mais pessoas tenham acesso a práticas que contribuam com o envelhecer da população.

            São inúmeros os desafios decorrentes do envelhecimento populacional, especialmente para países em desenvolvimento como o Brasil, por esse motivo, quanto melhor forem utilizados os recursos disponíveis e quanto mais for incentivado o acesso aos serviços, melhores soluções serão encontradas com maior facilidade.

A longevidade pode se traduzir numa experiência positiva tanto para o indivíduo quanto para a sociedade em que ele vive. A abordagem do envelhecimento ativo é útil para direcionar a criação de estratégias municipais, federais e globais para o ser que envelhece. Considerar os pilares do envelhecimento ativo, bem como seus respectivos determinantes, viabiliza a constituição de ações que supram as diversas demandas do processo de envelhecer.

            Apesar de ser um papel do poder público possibilitar que todas as pessoas sejam contempladas nos pilares do envelhecimento ativo, podemos refletir sobre as nossas atitudes perante o nosso processo de envelhecer e também das pessoas próximas a nós. Por exemplo, precisamos reivindicar os direitos, ou também existem certos deveres? É necessário compreender que o envelhecimento é um processo, e que portanto, boas práticas devem ser realizadas ao longo de toda vida, incluindo a fase da velhice.

            Uma das únicas certezas que podemos ter é que todos estamos e continuaremos envelhecendo até o final de nossa vida. Por essa razão, dadas as devidas oportunidades, cabe a nós escolhermos como conduzir esse processo. Também é importante refletirmos que uma sociedade inclusiva à pessoa idosa, é uma sociedade digna para todas as idades, e que a velhice, é um direito social conquistado e devemos zelar por esta conquista, visando mais qualidade aos anos de vida. Parabenizamos todos os idosos pelo seu dia, viva o dia 1º de outubro.

Acesse AQUI e AQUI dois manuais de domínio público que falam sobre o conceito da política pública do envelhecimento ativo da OMS e do Centro Internacional de Longevidade Brasil.

Assinam esse artigo:

Gabriela dos Santos, Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), Graduada em Gerontologia pela USP, com Extensão pela Universidad Estatal Del Valle de Toluca. Assessora científica da pesquisa de validação do Método Supera.

Thais Bento Lima da Silva: Docente do curso de Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É assessora científica e consultora do Método Supera. E-mail: thaisbento@usp.br

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