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Como acontece a estimulação cognitiva em idosos

Thais Bento Lima da Silva, Gerontóloga pela Universidade de São Paulo, Mestre e Doutoranda em Neurologia Cognitiva e Envelhecimento.

Thais Bento Lima da Silva, Gerontóloga pela Universidade de São Paulo, Mestre e Doutoranda em Neurologia Cognitiva e Envelhecimento.

A estimulação cognitiva é um processo de mudança que visa estimular e, em alguns casos, reabilitar as funções físicas, psicológicas e sociais do indivíduo. Nos idosos, a estimulação cognitiva (sigla EC) tem como objetivo ajudar pacientes e familiares a conviver ou superar os déficits cognitivos e as limitações emocionais, ambientais e sociais, proporcionando melhora na qualidade de vida, incluindo melhor interação social.

Ocupa-se especificamente do estímulo das funções mentais complexas (memória, linguagem, funções executivas e visuoespaciais). A estimulação cognitiva é parte essencial da reabilitação e manutenção das habilidades gerais, é uma intervenção ampla, envolvendo não apenas a realização de tarefas escritas, mas também a família, profissionais envolvidos quando houver e o ambiente do paciente seja idoso ou não.

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A estimulação cognitiva deve ser personalizada para cada indivíduo a partir do perfil cognitivo e do repertório intelectual e social do paciente anterior à doença ou pode também ser realizada em grupos.

O processo inicia-se com uma avaliação cognitiva, chamada Avaliação Geral das Funções Mentais, que inclui o mapeamento das funções cognitivas alteradas e preservadas, um exame do perfil de personalidade, perfil ocupacional e intelectual e rede social do paciente. Este mapeamento irá determinar as metas da reabilitação ou da estimulação, vaia ajudar a identificar os recursos que serão trabalhados na reabilitação, e quais poderão ser aprimorados, sempre pensando em tentativas com erros e acertos.

Técnicas simples de estimulação das habilidades mentais

A estimulação cognitiva (EC) envolve o ensino e a prática de estratégias de memória compensatórias, como o uso de associações verbais, categorização e a criação de imagens mentais.

São realizadas tarefas cognitivas de memorização, de linguagem, de planejamento, ordenação e lógica e atividades visuoconstrutivas para a estimulação das principais funções. As atividades propostas devem ser adequadas ao nível intelectual e cultural do paciente, gerando motivação e sensação de competência. Também são implementados apoios externos, como o uso de agendas, calendários, listas de tarefas, alarmes e agendas eletrônicas, entre outros recursos computadorizados.

Para pacientes com prejuízo mental ou chamado comprometimento cognitivo significativo, que dependem de ajuda de outras pessoas para atividades diárias, a EC baseia-se em técnicas que usam a repetição e a memorização implícita.

Bons exemplos são a técnica de aprendizagem sem erro, a evocação espaçada e a redução gradual de apoio, que podem ser usadas conjuntamente.

O terapeuta apresenta informações selecionadas e essenciais ao paciente, como o nome de seu cuidador. O paciente irá repetir o nome em espaços gradualmente maiores de tempo, inicialmente com o apoio das sílabas iniciais do nome que serão retiradas aos poucos, até o paciente conseguir falar o nome com confiança, com mínima chance de cometer erro. A reorganização do ambiente físico também é essencial e a casa deve fornecer pistas visuais para a redução da desorientação. As portas de cômodos e armários podem conter figuras ou nomes escritos para fácil identificação de seu conteúdo.

Muitos pacientes deixam de reconhecer sua própria casa. É importante selecionar objetos, quadros e relíquias familiares que possam ajudá-los a reconhecer o ambiente familiar. É comum esquecer quem são os familiares.

A construção de um livro de memória, com o apoio do terapeuta que atua com a intervenção de estimulação cognitiva, poderá auxiliar na manutenção da memória autobiográfica. O exame do livro, que deve conter fotos e nomes dos familiares, antes de visitas e eventos poderá ajudar o paciente a reconhecer as pessoas e a sentir-se mais seguro.

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