
Casos de violência contra a pessoa idosa cresceram nos últimos anos. Somente nos primeiros meses de 2025, houve um aumento de 38%, registrando mais de 65 mil denúncias, segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Muitas dessas violências acontecem no âmbito familiar. E quais são os tipos? Existem várias e algumas delas são psicológicas, patrimoniais, físicas, financeiras e outras.
Por isso, neste artigo vamos explicar um pouco mais sobre o que é a violência familiar contra a pessoa idosa.
O que é a violência contra pessoa idosa?
A violência contra pessoa idosa é qualquer tipo de ação intencional ou não que cause algum dano ou prejuízo à integridade física, mental, financeira e outros tipos.
Pensando na importância de se falar sobre o assunto, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o dia 15 de junho, com o objetivo de ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência sofrida pelas pessoas idosas e fortalecer ações de prevenção, proteção e promoção dos direitos humanos.
A data representa uma oportunidade para mobilizar profissionais, gestores, familiares e a comunidade em geral em torno da construção de ambientes mais seguros e inclusivos para o envelhecimento e para todas as idades.
Quais são os tipos de violência?
De acordo com a cartilha da pessoa idosa da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, os tipos de violências são:
Física: Quando existem agressões, empurrões, machucados ou qualquer atitude que cause dor e coloque a pessoa idosa em risco.
Verbal: Gritos, humilhações, ameaças, xingamentos e falas desrespeitosas.
Psicológica: Acontece em situações de manipulação, intimidação, isolamento ou atitudes que afetam a autoestima e o emocional da pessoa idosa.
Institucional: É quando atendimentos, serviços ou instituições dificultam acessos, negam direitos ou tratam a pessoa idosa com negligência e desrespeito.
Financeira e jurídica: Quando alguém usa o dinheiro, os bens ou os direitos da pessoa idosa sem autorização, muitas vezes por pressão, manipulação ou aproveitando sua vulnerabilidade.
E todas essas situações podem acontecer no contexto familiar.
Violência familiar: como ela ocorre e como interceder?
Pensando nessa questão, no dia 16 de junho, às 19h30, receberemos a especialista Dra. Alexsandra Manoel Garcia para a live gratuita e on-line “Violência Invisível: Como identificar e combater a violência familiar contra a pessoa idosa?”.
A Dra. Alexsandra destaca a importância de discutir o tema:
“Em muitos casos, familiares tentam retirar a autonomia do idoso sem necessidade real, promovem pedidos de interdição para controlar patrimônio ou pressionam a assinatura de procurações, contratos e doações que a pessoa não compreende plenamente. Também é comum que o idoso seja tratado como incapaz apenas em razão da idade”
A estimulação cognitiva pode ajudar a pessoa idosa em casos de violência?
A estimulação cognitiva é um conjunto de atividades sistematizadas que aprimoram habilidades como memória, funções executivas e a cognição em geral. No caso da metodologia Supera, esse trabalho também envolve o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Com isso, novas sinapses são criadas, tornando o cérebro mais robusto.
Para a pessoa idosa, a estimulação cognitiva pode ser bastante benéfica, pois, além de melhorar a qualidade de vida no geral, promove autonomia, fazendo com que eles possam decidir e escolher com mais certeza por conta própria.
E no caso da violência? Como pode ajudar?
Para a Dra. Thais Bento Lima da Silva, gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestre e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a estimulação cognitiva pode desempenhar um papel relevante na identificação precoce de situações de violência contra a pessoa idosa.
“Atividades realizadas em grupos, oficinas e programas de estimulação favorecem o contato frequente e novos vínculos sociais estabelecidos entre profissionais e participantes, possibilitando a observação de alterações comportamentais, emocionais e sociais que podem indicar situações de vulnerabilidade. Adicionalmente, estes espaços promovem a interação social, o fortalecimento de vínculos e a expressão de experiências pessoais, criando um ambiente acolhedor no qual a pessoa idosa pode se sentir mais segura para relatar situações de abuso, violência, negligência e/ou abandono”.
Além disso, a gerontóloga afirma que a participação em atividades cognitivas também contribui para ampliar o conhecimento sobre direitos, autonomia e mecanismos de proteção, favorecendo o reconhecimento de situações de violência e a busca por ajuda profissional e pela notificação do evento nos órgãos responsáveis, como as delegacias da pessoa idosa ou fóruns de direitos das pessoas idosas.