Violência familiar contra pessoa idosa: o que é e como combater?

Publicado em: 09/06/2026 Por Supera
violência familiar

Casos de violência contra a pessoa idosa cresceram nos últimos anos. Somente nos primeiros meses de 2025, houve um aumento de 38%, registrando mais de 65 mil denúncias, segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). 

Muitas dessas violências acontecem no âmbito familiar. E quais são os tipos? Existem várias e algumas delas são psicológicas, patrimoniais, físicas, financeiras e outras. 

Por isso, neste artigo vamos explicar um pouco mais sobre o que é a violência familiar contra a pessoa idosa.

O que é a violência contra pessoa idosa? 

A violência contra pessoa idosa é qualquer tipo de ação intencional ou não que cause algum dano ou prejuízo à integridade física, mental, financeira e outros tipos. 

Pensando na importância de se falar sobre o assunto, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o dia 15 de junho, com o objetivo de ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência sofrida pelas pessoas idosas e fortalecer ações de prevenção, proteção e promoção dos direitos humanos. 

A data representa uma oportunidade para mobilizar profissionais, gestores, familiares e a comunidade em geral em torno da construção de ambientes mais seguros e inclusivos para o envelhecimento e para todas as idades.

Quais são os tipos de violência? 

De acordo com a cartilha da pessoa idosa da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, os tipos de violências são: 

Física: Quando existem agressões, empurrões, machucados ou qualquer atitude que cause dor e coloque a pessoa idosa em risco.

Verbal: Gritos, humilhações, ameaças, xingamentos e falas desrespeitosas.

Psicológica: Acontece em situações de manipulação, intimidação, isolamento ou atitudes que afetam a autoestima e o emocional da pessoa idosa.

Institucional: É quando atendimentos, serviços ou instituições dificultam acessos, negam direitos ou tratam a pessoa idosa com negligência e desrespeito. 

Financeira e jurídica: Quando alguém usa o dinheiro, os bens ou os direitos da pessoa idosa sem autorização, muitas vezes por pressão, manipulação ou aproveitando sua vulnerabilidade.

E todas essas situações podem acontecer no contexto familiar. 

Violência familiar: como ela ocorre e como interceder?

Pensando nessa questão, no dia 16 de junho, às 19h30, receberemos a especialista Dra. Alexsandra Manoel Garcia para a live gratuita e on-line “Violência Invisível: Como identificar e combater a violência familiar contra a pessoa idosa?”.

Violência familiar contra pessoa idosa: o que é e como combater? - Supera - Ginástica para o Cérebro

A Dra. Alexsandra destaca a importância de discutir o tema:

“Em muitos casos, familiares tentam retirar a autonomia do idoso sem necessidade real, promovem pedidos de interdição para controlar patrimônio ou pressionam a assinatura de procurações, contratos e doações que a pessoa não compreende plenamente. Também é comum que o idoso seja tratado como incapaz apenas em razão da idade”

A estimulação cognitiva pode ajudar a pessoa idosa em casos de violência? 

A estimulação cognitiva é um conjunto de atividades sistematizadas que aprimoram habilidades como memória, funções executivas e a cognição em geral. No caso da metodologia Supera, esse trabalho também envolve o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Com isso, novas sinapses são criadas, tornando o cérebro mais robusto. 

Para a pessoa idosa, a estimulação cognitiva pode ser bastante benéfica, pois, além de melhorar a qualidade de vida no geral, promove autonomia, fazendo com que eles possam decidir e escolher com mais certeza por conta própria.

E no caso da violência? Como pode ajudar?

Para a  Dra. Thais Bento Lima da Silva, gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP).

Mestre e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a estimulação cognitiva pode desempenhar um papel relevante na identificação precoce de situações de violência contra a pessoa idosa. 

“Atividades realizadas em grupos, oficinas e programas de estimulação favorecem o contato frequente e novos vínculos sociais estabelecidos entre profissionais e participantes, possibilitando a observação de alterações comportamentais, emocionais e sociais que podem indicar situações de vulnerabilidade. Adicionalmente, estes espaços promovem a interação social, o fortalecimento de vínculos e a expressão de experiências pessoais, criando um ambiente acolhedor no qual a pessoa idosa pode se sentir mais segura para relatar situações de abuso, violência, negligência e/ou abandono”.

Além disso, a gerontóloga afirma que a participação em atividades cognitivas também contribui para ampliar o conhecimento sobre direitos, autonomia e mecanismos de proteção, favorecendo o reconhecimento de situações de violência e a busca por ajuda profissional e pela notificação do evento nos órgãos responsáveis, como as delegacias da pessoa idosa ou fóruns de direitos das pessoas idosas.

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