Para exercitar seu cérebro, faça mais do que simples jogos

Publicado em: 30/03/2017 por: Barbara

Testeira - MS

Happy smiling group of young friends staying together outdoor in the parkQuando um curso de ginástica para o cérebro foi ministrado pela primeira vez em seu asilo, Connie Cole foi uma das primeiras a se apresentar. Depois do curso, ela aprendeu a usar um iPad e passou a executar tarefas mais complexas verbalmente e também no papel.

“Meu pai tinha demência, então farei tudo o que puder”, disse Cole, 86 anos, professora aposentada do ensino fundamental que joga Sudoku toda manhã. “Se eu puder dar algo aos meus filhos, será ficar o mais longe possível dessa doença”.

Na verdade, não existe cura conhecida para a demência, nem há provas de que exercitar o cérebro de alguma forma pode evitar o Mal de Alzheimer. Mas esses cursos proporcionam capacidades úteis para os idosos, sendo vistos por muitos especialistas como fatores que ajudam a melhorar a saúde e a qualidade de vida de seus participantes.

Connie Cole disse que o curso ministrado em seu asilo de Gayton Terrace, em Richmond (Virginia), incentivou-a a pensar e ler mais. Melhor: ela aprendeu que hábitos regulares como se exercitar, rir e socializar, inclusive com desconhecidos, podiam aumentar sua expectativa de vida. Em todo caso, são hábitos que, com certeza, tornam sua vida mais prazerosa.

A teoria desta visão mais holística, que vai além dos populares jogos para o cérebro no computador, é que o cérebro prospera através de uma estimulação contínua.

“Seu cérebro não sabe a idade que tem”, disse Paul Nussbaum, presidente do Centro de Saúde do Cérebro de Pittsburgh, que ajudou a elaborar o programa utilizado em Gayton Terrace e outras comunidades para idosos. “E o que ele quer fazer é aprender”.

Para ele, exercícios para o cérebro deveriam se basear em novidade e complexidade, incluindo jogos com outras pessoas. Todo tipo de atividade que exige alguma concentração, como aprender um idioma estrangeiro ou a tocar um instrumento, pode ser benéfico para os idosos. Segundo Nussbaum, assim como o corpo melhora com exercícios físicos e uma alimentação saudável, um cérebro plenamente engajado socialmente, mentalmente e espiritualmente fica mais resistente e vigoroso.

Na opinião dele, o pior que pode acontecer aos idosos é o isolamento. “Todos nós podemos formatar nosso cérebro para a saúde, e quanto mais cedo, melhor”, afirmou.

Muitos adultos nascidos após a Segunda Guerra Mundial já estão usando games no computador ou aplicativos para estimular o cérebro, mas eles deveriam ser pensados como parte de um engajamento mais amplo com o mundo, segundo Nussbaum.

Dakim BrainFitness, por exemplo, é um programa de computador que visa afiar a memória e as habilidades de linguagem, e que está disponível em algumas comunidades para idosos. “Esse programa não necessariamente vai adiar a chegada do Alzheimer”, disse Alvaro Fernandez, executivo da empresa de pesquisa de mercado SharpBrains.

Ele disse, porém, acreditar que Dakim e programas semelhantes como Saido Learning, desenvolvido no Japão para enviar memória operacional ao córtex pré-frontal através de escritura manual, matemática e leitura em voz alta, proporcionam outros benefícios e podem ajudar a adiar a perda de memória e outros sintomas típicos da idade. Não existe uma pílula mágica, avisou, destacando que exercícios aeróbicos são ainda mais benéficos para a saúde no caso dos mais idosos.

A comunidade de vida assistida Aegis Living on Madison, em Seattle, oferece jogos para o cérebro em seu centro de exercícios para o cérebro. Earl Collins, 90 anos, tem jogado várias vezes por semana nos dois últimos anos.

“Continuo usando meu cérebro”, disse Collins, um executivo aposentado da YMCA. “Os jogos me fazem lembrar, decidir e observar”.

Ao mesmo tempo, Collins toca trombone em bandas e é socialmente ativo, participando do grupo de igreja de seu bairro, indo a leituras e mantendo contato com ex-colegas de trabalho.

Estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde sugere que o treinamento cognitivo que usa o pensamento, como a resolução de problemas e a aprendizagem – por exemplo, ler um artigo de jornal e discuti-lo depois com um amigo -, tem o poder de ficar no cérebro, até 10 anos depois do fim do treinamento.

Em pesquisa publicada em 2014, os 2.832 participantes que fizeram o treinamento tiveram menos dificuldades para executar tarefas do dia a dia, como preparar refeições ou fazer compras. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a memória que se treina sozinha não tem resultados duradouros.

“Essa é uma mensagem que traz muitas esperanças”, considerou George Rebok, professor na Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade John Hopkins, em Baltimore, que trabalhou no estudo. “Um investimento, mesmo modesto, em treinamento cognitivo, dá resultados até uma década depois. E tem impacto nas funções do dia a dia”.

Segundo Rebok, achar novos desafios para você mesmo todos os dias é uma boa ideia. Esses novos desafios podem incluir muitas atividades do dia a dia como fazer cálculo mental em vez de usar calculadora, pegar um caminho diferente do normal ou comer com a outra mão.

“Vai contra o que nos acostumamos a fazer”, disse ele. “Mas você tem que continuar a fazer esses exercícios da mesma forma. Eles irão aumentar a neuroplasticidade do cérebro”.

Wendy Suzuki, professora de neurociência e psicologia da Universidade de Nova York, dá o mesmo conselho. “Toda vez que você aprende algo novo, o cérebro muda. E as mudanças físicas mais duradouras vêm dos exercícios psíquicos”, disse ela.

Marty Donovan, 83 anos, se inscreveu em um curso de ginástica para o cérebro de quatro semanas em sua comunidade para idosos de South Port Square, em Port Charlotte (Florida). Fez exercícios mentais como jogar um guardanapo para o alto com uma mão e pegá-lo com a outra e quebra-cabeças, além de aprender sobre nutrição.

“Aprendi que meu cérebro não precisava se deteriorar”, disse Donovan, cujos pais tinham demência. “Mas preciso estimulá-lo diariamente para não correr esse risco. Ou seja, só depende de mim”.

Donovan se exercitou durante toda sua vida. Hoje, ela dá uma aula de aeróbica aquática, pratica yoga e está aprendendo a meditar. “Porém, tendo a ser um pouco solitária”, disse ela. “E estou trabalhando nisso”.

Carol Watkins, 78 anos, se matriculou em um programa de exercícios para o cérebro no Asbury Methodist Village, em Maryland. Além de nutrição e exercícios, o programa a incentivou a escolher um novo projeto que ela nunca havia realizado antes. Ela decidiu então fazer um ensaio fotográfico com o programa de edição de fotos Picasa. No fim do curso, ela trouxe fruta pão, que nunca havia comprado antes, para a festa de encerramento.

“Tento fazer algo diferente todos os dias”, disse Watkins, uma ex-funcionária do governo federal. “Quando ando, uso sempre caminhos diferentes, ou subo por escadas diferentes”.

Fernandez, da SharpBrains, disse que gostaria de ver um meio mais sistemático de medir a cognição, tal como um check up de saúde mental anual. “Se tivéssemos melhores avaliações, poderíamos capacitar consumidores. Essa é a nova fronteira”, afirmou.

Cole está planejando aprender a linguagem dos signos, que é inovadora e complexa. “Quando você tem que mudar para uma unidade, acha que sua vida acabou”, disse ela. “Agora quero ler mais no meu Nook”.

 

Texto traduzido e extraído de artigo do The New York Times, 9/7/2016

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