Aprendendo a raciocinar

Publicado em: 22/01/2016 por: Leticia Maciel

Saúde Mental

Dra. Carla Tieppo, consultora do SUPERA Tieppo é também professora, neurocientista, palestrante e CEO da Inédita Cursos

Há coisas nessa vida que parecem ser impossíveis de aprender. Uma delas é a capacidade de raciocinar, de criar. Quando vemos um gênio das ciências ou das artes, dizemos que aquilo é um “dom” e, que por mais que nos esforcemos, nunca chegaremos ao mesmo nível de capacidade.

Parece que estas pessoas nascem com um “algo” a mais. E as opiniões se dividem. Há quem defenda com unhas e dentes que uma criança genial já demonstra esta capacidade nas primeiras frases que fala. E outros dizem que o esforço pode fazer qualquer um atingir a genialidade em algum tema.

Fala-se em uma regra das dez mil horas. Por esta regra, qualquer pessoa que dedique dez mil horas ao desenvolvimento de uma determinada habilidade ou capacidade atingirá um desempenho genial nela. Como não temos uma resposta final a essa pergunta, vamos discutir este tema a partir daquilo que já sabemos que pode ser aprendido e desenvolvido, qualquer que seja sua herança genética e seu talento “natural”.

Nosso cérebro funciona a partir da construção de circuitos entre nossos neurônios. Cada um desses circuitos elétricos formados é que são responsáveis pelo surgimento de um pensamento quando você ouve alguma coisa, vê alguma cena, sente alguma textura ou percebe um cheiro no ambiente. São circuitos formados pelas suas células nervosas, os famosos neurônios, que fazem com que alguma coisa que acontece no ambiente em que você está provoque um pensamento ou uma reação em você.

Estes circuitos não nascem prontos dentro do seu cérebro. Para que uma palavra ou mesmo uma imagem faça sentido para você, você precisa viver experiências que façam com que estes circuitos sejam gradativamente construídos.

Assim, na primeira vez que um bebê ouve a palavra caneta sendo pronunciada, ele mal consegue ouvir todas as sílabas adequadamente. O registro e interpretação dos sons é muito complicado. Será necessário que esta palavra seja ouvida algumas vezes para que possa ser reconhecida. É semelhante àquilo que vivemos quando ouvimos pessoas falando em um idioma estranho a nós.

Mal sabemos onde começa e onde termina cada palavra da frase ouvida. Mas, como ao longo de um determinado período, o bebê vai se acostumando com as palavras e seu cérebro desenvolve circuitos neuronais especializados para reconhecer as palavras e interpretar seus significados, depois de um determinado tempo, o bebê irá começar a entender o que ouve e vai começar a ensaiar até algumas palavras e sons tentando usar o que aprendeu para se comunicar.

Este é o “milagre” do desenvolvimento da linguagem através da construção de circuitos de neurônios apropriados para fazer este trabalho de forma automática e suficientemente rápida para ser eficiente na comunicação.

Para o raciocínio, a mágica é muito semelhante. À medida que somos expostos a situações que precisam ser analisadas e avaliadas para produzirem respostas baseadas no raciocínio, também desenvolvemos circuitos especialistas naquelas interrelações entre coisas e assuntos. Se você precisa tomar uma decisão sobre um investimento financeiro, mas nunca pensou sobre isso e não tem nenhum conhecimento prévio ou experiência sobre esse assunto, vai achar muito complicado pensar sobre todas as opções disponíveis ao mesmo tempo. Mas se você já leu a esse respeito, já está acostumado a pensar sobre dinheiro, conhece a matemática dos juros simples e dos juros compostos, você está em larga vantagem para produzir um bom raciocínio. Assim, quando mais circuitos a respeito de um determinado assunto você tem disponível, mais eficiente e ágil será sua construção de raciocínios sobre ele. É como se uma boa parte do trabalho já estivesse sido feita antes mesmo de você começar.

Mas o dado mais importante sobre isso eu vou lhe dar agora: um dos aspectos mais importantes para que você tenha recursos para raciocinar é desafiar o seu cérebro. Resolver charadas e enigmas, problemas complicados com dados que precisam ser analisados todos ao mesmo tempo.

Esta habilidade de confrontar dados pode ser agilizada por raciocínios anteriores que você já tenha feito. Mas, em uma área especial do nosso cérebro, desempenhamos uma função importantíssima que é manter ativos os circuitos que precisam ser usados para raciocinar.

Para ler esse texto, por exemplo, você precisa se lembrar do que estava escrito nas frases anteriores. Se não for capaz de manter estas informações frescas na sua mente, não vai entender o texto. É possível que tenha que voltar e ler novamente, caso seu cérebro não tenha treinado a leitura. Assim, quando mais você lê, mais você entende. Dá mesma forma, quanto mais você pensa e desafia seu raciocínio, mas fácil será pensar sobre tudo.

Assim, se você não se sente genial no seu raciocínio, há muito a ser aprimorado na velocidade e na qualidade do que você pensa. Porém, como os resultados irão aparecer lentamente, já que precisamos construir circuito neuronais novos e potentes, há uma grande chance da sua mente imediatista querer desistir e declarar que você tem um cabeça meio ruim e que não consegue pensar ou resolver aquele problema.

Assim, comece com problemas e desafios mais simples e à medida que for melhorando sua capacidade de raciocinar, enfrente problemas mais complexos. Você vai se surpreender com sua capacidade de raciocínio quando as soluções para os seus problemas começarem a surgir na sua cabeça. Aí, sua autoconfiança vai aumentar muito e até o seu sistema emocional vai se tornar um enorme aliado para você ter o cérebro que sempre desejou. Acredite: ser o que se deseja ser é uma questão de decisão, esforço e disciplina! Treine o seu cérebro!

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